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Crônica
 
Oh! Que saudades que eu tenho
Por: Ivone Boechat



Parafraseando o poeta Casimiro de Abreu: “Oh! que saudades que tenho da aurora…”

"Oh! que saudades que tenho"… da aurora da minha Igreja, “daquelas tardes fagueiras”, quando se ouvia a voz dos crentes de muito longe, cantando os hinos belíssimos do cantor cristão. Quantas pessoas se converteram a Jesus Cristo, ao ouvir os hinos, quando passavam pela rua. Entravam maravilhadas e se entregavam ao Senhor. Hoje? Agora, muitos e são muitos, passam na rua e só ouvem o estrondo das baterias rufando num volume tremendo… Talvez, muitos nem reconheçam lá de fora aquele barulho tão grande como culto. Nem quem está dentro do templo consegue ouvir a própria voz. Até se esforça, grita na ponta do pé, arrebenta a veia do pescoço, mas…como?
Oh! que saudades que tenho dos conjuntos corais afinados, mesmo nas congregações do interior havia um, cantando, a capela… o repertório era lindo! Letras inspiradas, bem feitas. Hoje? Raras Igrejas têm conjuntos corais, outras e são muitas, têm “aquele” conjunto de louvorzão, muitíssimas vezes, com músicas compostas por quem nada sabe de música nem de poesia nem de ritmo…muito menos de teologia, etc…É letra sobrando, doutrina se esfolando e bom gosto faltando! Os hinos do Cantor Cristão têm sido chamados por alguns crentes de “hinossauros”. Há igrejas que nem evangélicas são que se apossam dos hinos lindíssimos tradicionais e saem por aí se gabando do repertório!!!
Oh! que saudades que tenho dos programas de Natal, onde as crianças participavam e se encantavam, ficavam contando no calendário os dias que faltavam para o outro Natal. Hoje, que pena…Tenho visto idosos, jovens e crianças em casa, porque as cantatas extremamente barulhentas estressam todo mundo, com partituras longas, repetitivas…ou representações quilométricas, tomando, na maioria das vezes, de maneira equivocada, o precioso tempo da Palavra.
Oh! que saudades que tenho dos crentes que viviam (muitos ainda vivem, deve-se reconhecer e não generalizar) no firme propósito de dignificar o Evangelho, quando a ética era a base sobre a qual deveriam ser apoiadas todas as atitudes cristãs. Levava-se ultra a sério as recomendações bíblicas: “se o teu olho escandalizar” …”como a mesma medida sereis medidos”…” “aquele que não usa a misericórdia para com seu irmão”…
Oh! que saudades que tenho dos cultos solenes, com a Igreja cantando, baixinho, de olhos fechados, às vezes, de joelhos, hinos tão inspirados de apelo. Como é triste ver cultos recortados, sem o menor critério, por avisos e avisos, dando a idéia de reunião de condomínio. E a reunião do condomínio dura hora e meia. A pregação da palavra? Dez minutos!
Oh! que saudades que tenho dos pastores de terno e gravata no púlpito, com linguagem santa, oferecendo a Deus, de forma muito especial, o culto de louvor e gratidão. Pouquíssimos gritavam pregando, hoje, poucos não gritam…alguns pregam. Que pena! Tantos confundem púlpito com tablado de conversas engraçadas, lançamento de campanhas eleitorais, postura menos solene e brincadeirinhas…Ou críticas…Onde andam os sermões sobre a volta de Cristo?
Oh! Que saudades que tenho de seminários preocupados com a seleção do candidato à seminarista, exigindo teste psicológico, escolaridade, cultura geral. Poucos ainda exigem. ..O corpo docente era credenciado, experiente, espiritual. Hoje, que pena! Hoje é comum encontrar seminários em portinhas de fundo, sem conforto, sem critério, sem avaliação, sem curso…Todo mundo quer ter o seu seminário, em pouquíssimo tempo. E tem, só não há onde reclamar da qualidade. É curso “livre”!!! Que seja livre, mas excelente. Que toda Igreja tenha o seu, mas pra lá de competente.
Não é puro saudosismo, caretice, velhice, ranhetice, ataque de pelanca, é a vontade pedagógica, mas, sobretudo cristã de ver as crianças encantadas com a solenidade de um culto, de preservá-las da surdez precoce e dar-lhes o direito de cantar e ouvir a própria voz. É triste vê-las confundindo culto com espetáculo, louvor com ataque de euforia, púlpito com palco de espetáculo. E as coreografias?… Socorro! Maranata! Vem, Senhor!
Ivone Boechat

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