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Crônica
 
Politicamente (in)corretos continua
Por: Lindberg R. Garcia



Há bem pouco tempo, fiz uma publicação neste site em 01/09/2023, sob o título Politicamente (in)corretos), discorrendo sobre os absurdos que se têm divulgado na imprensa, e principalmente nas redes sociais, de grupos que querem impingir suas estultícies à população desavisada, que acredita em qualquer coisa que venha dos tais “influencers”. Assim, em muito boa hora, leio no jornal Folha de São Paulo (12/01/2024), artigo sob a responsabilidade da articulista Djamila Ribeiro (Mestre em filosofia política e coordenadora da coleção de livros Feminismos Plurais), sob o título: Preto é cor ou é raça.

Destaca Djamila que: “Numa edição do Big Brother Brasil, um participante disse que era incorreto se referir à população negra como ‘negro’ ou ‘negra’, que o correto seria dizer ‘preto’ ou ‘preta’. Esse participante, hoje influenciador, passou essa informação sem a mínima responsabilidade, e centenas de outros passaram a replicar nas redes sociais levando uma série de pessoas a erro. Isso é irresponsável por vários motivos: há toda uma tradição de estudos a respeito do tema e, além disso, O movimento negro brasileiro definiu a categoria negro como a soma de pardos (negros claros) e pretos (negros retintos). Assim também está definido no Estatuto da Igualdade Racial.”

Conclui a articulista que; “Por causa disso, muitas pessoas pardas passaram a se declarar pretas, o que pode ter ocasionado uma apuração equivocada pelo censo do IBGE, algo alertado diversas vezes pela intelectual Carla Akotirene (militante, pesquisadora, autora e colunista no tema feminismo negro no Brasil. Carla é professora-assistente na Universidade Federal da Bahia), que, por sua vez, sofreu vários ataques por pautar o que era correto.” (…) Pessoas ligadas a organizações sociais também passaram a comentar e a usar a palavra ‘preto’ sem o mínimo respeito à história do movimento negro. O silêncio e a omissão de ativistas foram gritantes.”

Djamila chama a atenção para que tal mudança de terminologia representa um risco, tanto aos órgãos governamentais, como também às entidades sérias que lutam pelos direitos e igualdade raciais ao afirmar que; “O Brasil não é os Estados Unidos e aqui ainda é importante que falemos sobre colorismo, e como há diferença de tratamentos entre pessoas negras claras e negras escuras. Não se trata de dividir a população negra, nem de dizer que pardos não sofrem racismo. Sofrem, claro, são negros, mas é importante, a partir de dados objetivos —pois é assim que se cria demandas de políticas públicas— que tenhamos informações sobre a realidade concreta de pessoas pardas e pretas para que consigamos formular saídas emancipatórias e pensar as relações de desigualdade intragrupo.”

No meu artigo publicado neste site (Politicamente (in)corretos), chamei a atenção sobre a pretensão de grupos que tentam impor a linguagem neutra à linguagem culta, e citei, inclusive a Professora Cíntia Chaves, que disse: “A linguagem inclusiva possui um paradoxo. Ela tenta incluir, mas exclui aqueles que não a aceitam e muitos outros”. Pelo que me parece, é o mesmo que se tenta com a alteração estapafúrdia pretendida por pretensos grupos de “influencers”, que em nada contribuem para a análise da questão racial de nosso país, é antes de tudo um desserviço à sociedade.

A propósito, recebi outro dia pelo watssap, um texto satírico, jocoso, que me chamou a atenção, embora não mencione o autor do mesmo, o transcrevo ao leitor amigo deste site:

Professora de Português dando aula. E que aula!!!
- Vamos conversar. Não sou homofóbica, transfóbica, gordofóbica. Eu sou professora de português. Eu estava explicando um conceito de português e fui chamada de desrespeitosa por isso.
- Eu estava explicando, por que não faz diferença nenhuma mudar a vogal temática de substantivos e adjetivos pra ser “neutre”. Em português, a vogal temática na maioria das vezes não define gênero. Gênero é definido pelo artigo que acompanha a palavra.
- Vou mostrar para vocês:
o motorista. Termina em A e não é feminino;
o poeta. Termina em A e não é feminino;
a ação, depressão, impressão, ficção. Todas as palavras que terminam em ação são femininas, embora terminem com O.
- Boa parte dos adjetivos da língua portuguesa, podem ser tanto masculinos quanto femininos, independentemente da letra final: feliz, triste, alerta, inteligente, emocionante, livre, doente, especial, agradável etc. Terminar uma palavra com E não faz com que ela seja neutra. A alface. Termina em E, e é feminino. O elefante. termina em E, e é masculino.
- Como o gênero em português é determinado muito mais pelos artigos do que pelas vogais temáticas, se vocês querem uma língua neutra, precisam criar um artigo neutro, não encher um texto de X, @ e E. E mesmo que fosse o caso, o português não aceita gênero neutro. Vocês teriam que mudar um idioma inteiro pra combater o “preconceito”.
- Meu conselho é: em vez de insistir tanto na questão do gênero, entendam de uma vez por todas que gênero não existe, é uma coisa socialmente construída. O que existe é sexo. Entendam, em segundo lugar, que gênero linguístico, gênero literário, gênero musical, são coisas totalmente diferentes de “gênero”.
-Não faz absolutamente diferença nenhuma mudar gêneros de palavras. Isso não torna o mundo mais acolhedor. E entendam em terceiro lugar, que vocês podiam tirar o dedo da tela e pararem de falar bobagem e se engajarem em algo que realmente fizesse a diferença para melhorar o mundo, em vez de ficarem arrumando discussões sem sentido.
-Tenham atitude! (Palavra que termina em E, e é feminina). E parem de ficar militando no sofá! (a palavra que termina em A e é masculina).
Quando me questionam porque sou de direita, esta é a explicação:
"Quando um tipo de direita não gosta de armas, não as compra.
Quando um tipo de esquerda não gosta de armas, quer proibi-las.
Quando um tipo de direita é vegetariano, não come carne.
Quando um tipo de esquerda é vegetariano, quer fazer campanha contra os produtos à base de proteína animal.
Quando um tipo de direita é homossexual, vive tranquilamente a sua vida.
Quando um tipo de esquerda é homossexual, faz um auê e inventa que está sofrendo de homofobia.
Quando um tipo de direita é ateu, não vai à igreja, nem à sinagoga, nem à mesquita, nem na umbanda, ou vai em todas.
Quando um tipo de esquerda é ateu, quer que nenhuma alusão a Deus ou a uma religião seja feita na esfera pública.
Quando a economia vai mal, o tipo de direita diz que é necessário arregaçar as mangas e trabalhar mais.
Quando a economia vai mal, o tipo de esquerda diz que os “malvadões” dos patrões são os responsáveis e param o país.
Tese final:
Quando um tipo de direita lê este texto, ele ri, concorda que infelizmente é uma realidade e até compartilha.
Quando um tipo de esquerda lê este texto, te insulta e te rotula de fascista, nazista, genocida etc.”
Aula encerrada.

Aproveito para trazer minha conclusão de meu texto citado na crônica Politicamente (in)corretos, pois a situação me parece a mesma: Bem, parece ou não parece que estamos vivendo 54 anos após a morte de Sérgio Porto, o Stanilaw Ponte Preta, o mote para o atual Febeapá no Brasil. No além, ele deve estar dando risadas do novo “festival de besteiras que assola o país”, somos impagáveis, não?

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