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Conto
 
MADAME PHYL
Por: PAMMÝ RODRIGUES

Havia neblina por toda parte da floresta, e o cavaleiro perseguia incansavelmente os vultos daquelas mulheres. Deixou seu cavalo amarrado numa grande árvore, pois cavalgar naquela neblina era praticamente impossível.
-Apareçam bruxas malditas.- gritou ele.
Não houve nenhum som em resposta.
A floresta era apenas neblina e silencio.
Seus passos ao longo do trajeto quebravam galhos secos o que produzia um barulho sinistro até mesmo aos ouvidos do cavaleiro. Ele observava atentamente em sua volta a fim de encontrar algum vestígio da passagem das mulheres. Mas não havia nada no chão, nem ao menos pegadas. Isso só comprovava que era realmente bruxas. Só podia ser magia aquilo que faziam, aquele sons tão enigmáticos, pesados e ao mesmo tempo doce. Sem falar nas roupas tão negras e estranhas. Não restava dúvida eram bruxas sim.
-Irei queimá-las num só fogueira suas malditas feiticeiras.-gritou ele outra vez.
Queimá-las parecia até um grande desperdício. Eram tão belas pelo que pode ver. Mas não deveria esquecer do que realmente eram: bruxas.
Ouviu-se o som de galhos partindo-se.
-Apareçam.
A voz do cavaleiro era ameaçadora embora se pudesse perceber um leve temor.
-O que você quer?
Perguntaram as quatro mulheres que o cavalheiro vira numa só voz.
-Queimá-las. Eu sei o que vocês são, vi o que estavam fazendo. Vocês são bruxas desgraçadas.
Ouviu-se risos de escárnio.
O cavaleiro apertava os olhos na tentativa de ver algumas delas. Nem ao menos conseguia identificar de onde vinham os risos.
-Apareçam, será melhor.-tornou ameaçar.
-Você não pode nos apanhar.-disseram todas novamente.
O cavaleiro brandiu sua espada ameaçadoramente.
-Eu sou um forte cavaleiro, sua magia não é páreo para a lâmina de minha espada. Eu provarei de seus sangues depois que eu as matar.
Mais risos.
-Venha nos pegar.
O cavaleiro não podia controlar sua ira crescente.
E quanto mais o cavaleiro ameaçava mais alto elas riam.
-Desgraçadas!-gritou ele quando vultos começaram surgir.
Vultos em todas as direções. Vultos de todas as cores. Vultos velozes.
O cavaleiro tentava fixar o olhar num só, mas tão rapidamente surgiam igualmente desapareciam.
-Mil vezes desgraçadas.
Mais vultos e risos.
Tudo era um turbilhão de vultos risos e neblina.
Até que...

Nem o cavaleiro poderia explicar o que aconteceu. Tudo voltou a ser calmamente silencioso. Ele parecia ter saído de um êxtase. Suava frio.
-Malditas bruxas.-agora ele não gritava apenas reclamava para si mesmo.
Ele não fazia ideia de onde estava o seu querido cavalo negro. Sabia que estava amarrado numa das grandes arvores, o problemas é que todas olhando naquela neblina pareciam do enormes. Estava perdido. Começou a procurar a trilha por onde tinha vindo e descobriu que estiam várias outras idênticas. Olhou para cima e não pode ver o céu. As arvores estavam tão grandes que não se podia ver o céu. A floresta mudara, não havia a mínima possibilidade de ser a mesma. Um pequeno desespero começou no intimo de sua alma. Começou a procurar alguma rastro que indicasse o caminho de volta. Foi quando ele viu uma menina ali, exatamente onde havia olhado segundos atrás.
Recuou alguns passos. Poderia ser algum truque daquelas feiticeiras. Ficou observando a menina, tão pequena e frágil, era muito linda.
Aproximou-se lentamente para não assustá-la.
Ela riu.
Estava envolvida por um grande manto de cetim negro, e brincava com algum objeto. O cavaleiro aproximou-se um pouco mais. A menina parecia não se importar com sua presença, continuava a brincar.
-Olá pequena menina.-disse o cavaleiro o mais baixo que pode para não assustá-la.
Ela apenas lhe estendeu o objeto que na verdade não era objeto e sim uma fruta.
O cavaleiro pegou a maçã tão vermelha com que a menina brincava e leu a palavra gravada na casca; PHYL.
O que poderia ser phyl?
Por mais que pensasse, o cavaleiro não conseguia imaginar nada que pudesse dar significado aquele nome.
-Phyl é seu nome?-perguntou forçando um tom suave.
A menina provavelmente ainda não sabia e fez sinal de que queria a fruta de volta.
Ele a entregou.
A noite começava a cair agora. O que faria o cavaleiro para encontrar o caminho de volta?! E o que faria ele com a pequena criança?!
Ele pensou em deixá-la ali mesmo no meio da floresta e ir embora a procura do caminho de volta, mas não pode fazê-lo. Ele não explicava o porquê.
Pegou a pequena menina nos braços. Ela não chorou como ele pensa que aconteceria. Em vez disso ela com seu dedinho pequenino apontou para um das trilhas. Não custava nada tentar.
A trilha era íngreme. E depois de um tempo caminhando o cavaleiro pode ver a ponta fina de uma torre.
-Um castelo!
Aproximando-se do castelo, ele começou a pensar numa forma de pedir um abrigo para ele e para a menina, ao menos por aquela noite. Estava disposto a encontrar o caminho de volta pra casa pela manhã bem cedo.
As luzes do castelo estavam todas acesas, o que animou o cavaleiro.
-Diga seu nome.- gritou um dos arqueiros que guardavam as entradas do castelo.
-Ricardo.-disse o cavaleiro que pensou ainda em dizer que era cavaleiro do Reino do Sul, mas desistiu por achar desnecessário.
Ouviu-se um pequeno murmúrio e um dos arqueiros aproximou-se dele.
- Majestade. – disse o arqueiro.
O cavaleiro olhou para trás procurando o Rei. Mas não viu ninguém, o arqueiro estava falando com ele.
De repente vieram várias mulheres vestidas exatamente iguais ao seu encontro trazendo um manto quentinho para ele e para a pequena menina. Elas o conduziram ao interior do castelo que era o mais suntuoso de todos os castelos que Ricardo já vira.
-Porque se ausentou durante todo esse tempo?-perguntou um das serviçais.
Ricardo não soube o que dizer daquela confusão toda. Apenas observava tudo ao seu redor atônito.
-Perdão, Vossa Majestade deve ter suas razões, perdão.
O jantar foi servido e Ricardo jamais comera tão bem, em toda sua vida. Depois o levaram a um grande salão onde haviam muitas mulheres belíssimas que dançavam as mais impressionantes danças.
-Majestade a menina já dorme.- disse umas serviçais.-podemos levá-la ao seu aposento?
-Sim.
Ricardo acordou de sonhos intranqüilos onde aquelas quatro mulheres lhes entregavam uma maçã cada uma e juntando todas formava o nome Phyl. Resolveu parar de pensar nelas e se preocupar apenas com sua nova vida.
Não sabia como explicar tudo aquilo, o castelo estava cheio de SUS retratos e de uma belíssima mulher, que depois ficou sabendo ser a Rainha, que havia morrido há alguns anos. Era Rei agora, e não sabia exatamente como aquilo havia acontecido.
A pequena menina que recebera o nome de Phyl . Ricardo deixou na torre mais alta do castelo, e nunca deixava sair, nem ao menos para ver as macieiras que tanto gostava.
Cresceu bela e melancólica. Não era a princesa daquele Reino, era apenas a menina escolhida para ser a futura esposa do Rei Ricardo.
E assim aconteceu, mas ela jamais o amou. Odiava a maneira como ela a tocava, odiava tudo nele.
Até que numa noite um cavaleiro se perdera na floresta e acabara chegando até o castelo. Ricardo permitiu que o jovem permanecesse como seu cavaleiro.
Alphonsus era belo e ambicioso e logo conquistou a confiança de Ricardo. Só que não foi apenas isso que ele conquistou.
Certa noite Phyl saiu as escondidas como sempre fazia para passear nos jardins. Alphonsus, a seguiu.Disse-lhe de seu amor para Phyl, que também confessou que o amava. Como descrever os momentos seguintes?!
Ouviram-se passos. Alphonsus jurou seu amor pela bela Phyl. E isso foi suficiente.
-Vá para o castelo.-pediu ela.
Alphonsus obedeceu.
Era Ricardo que caminhava com certa dificuldade por causa da idade, certamente percebera a ausência de esposa.
-Phyl...O que fazes?
-Perdão Majestade, estava colhendo uma maça, pois sonhara com maçã.-disse ela.
-Está proibida de sair do castelo sem uma serviçal de companhia. E não permitirei desobediência.
-Sim Majestade.-disse ela lançando-lhe um meigo sorriso.
Phyl estava com uma bela maçã nas mãos o que lembrou Ricardo do dia em que a havia encontrado.
Ela estendeu a maçã gentilmente.
-Coma.-pediu suavemente.
Havia o nome Phyl gravado na casca.
Ele a beijou primeiro depois mordeu a maçã sentindo algo percorrer todo o seu corpo. Era bom no início depois parecia paralisar-lhe.
Ricardo não conseguia mais respirar.
Caiu morto com a maça do lado.
Phyl casou-se com Alphonsus mas não demorou muito para descobrir que ele não amava verdadeiramente.
Phyl o deixou caído morto no chão exatamente como Ricardo.
Na maçã também lia-se: Phyl.
Depois disso muitos outros cavaleiros foram encontrados mortos e todos com a maçã do lado.
Os cavaleiros passaram a temer a floresta mesmo ela sendo apenas silêncio e neblina.




-Interessante história Madame.-disse o homem terminando sua taça de vinho.
-Que bom que gostou. É uma das minhas preferidas e gosto de mostrá-la para homens como o senhor.-Disse ela com um sorriso.
-Homens como eu?
-Sedutores. Homens ambiciosos e que em determinado momento da vida acabam me encontrando numa trilha.
Ela o beijou lentamente, estava certa do que iria fazer. Fizera isso durante muitos anos. Sabia todo o passado daquele homem ele de fato era merecedor.
-Minha Madame Phyl.-disse ele completamente fascinado por sua beleza .
Com uma das mãos ela o abraçava com a outra segurava a maçã. Ela encostou os lábios do homem na maçã.
Ele tombou e a ultima coisa que viu foi a bela Madame por delicadamente a maçã do seu lado com o nome devidamente gravado:
PHYL.



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PHYL- Corresponde as iniciais das quatro mulheres que aparecem na floresta no início do conto.

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