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Maria Iliana Schiavinato
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Crônica
 
PARA SHE-HA
Por: Maria Iliana Schiavinato

Quando eu a trouxe para casa meus filhos eram crianças de sete e quatro anos.Ela não era de raça mas todos a confundiam com Labrador. Sua pelagem era negra de um brilho estonteante.Muitas pessoas me paravam para perguntar o que eu usava no pelo dela e, não era nada em especial, apenas xampú, mas eu acredito que era a alegria e a felicidade dela que se faziam transparecer através do pelo sedoso e brilhante.
She-ha foi amada por todos nós de uma forma única.Fazia parte da família literalmente e, salvo raras exceções, aonde quer que fossemos ela ia também, inclusive em viagens de férias.A mais apegada a ela era eu e a recíproca sempre foi verdadeira. Lembro-me que as vezes eu acordava a noite e ao dirigir-me à cozinha a encontrava na sala, em seu canto, já acordada e assim que ela me via já começava a balançar o rabo e então se virava com as patas para o alto só pra chamar minha atenção e eu que já esperava pela cena, me dirigia a ela e a beijava e beijava e beijava até saciar todo aquela sede de carinho que nutriamos uma pela outra.
Todas as manhãs ela ia até o meu quarto impaciente, fazendo graça e me fazendo pular da cama, afinal já estava na hora de seu passeio matinal. Como meus filhos estudavam ao lado do Parque da Aclimação, eu os deixava no Colégio e seguia com a She-ha para o parque, onde passávamos um bom tempo passeando, correndo, vivendo intensamente momentos de profunda alegria e descontração. Esse ritual foi feito ininterruptamente durante todos os anos de sua vida, mas, o tempo passou, meus filhos cresceram e ela foi envelhecendo até que um dia notei algo estranho em seu dorso que, após consulta e biópsia foi diagnosticado um câncer que precisava ser retirado.Foram dias tensos e tristes em nossa casa porque não queríamos que ela sofresse, mas, diante do diagnóstico era imprescindível que se fizesse a cirurgia. No fatídico dia somente eu e meu marido fomos até o Centro Vetrinário e deixá-la nas mãos deles foi muito difícil porque seu olhar desesperado pedindo "não me deixe sozinha" me feriu de morte e até hoje carrego comigo aquela lembrança de um adeus antecipado.A cirurgia foi muito mais incisiva do que poderíamos imaginar porque o tumor havia se alastrado e a situação dela era extremamente grave. A partir desse dia ela não mais se recuperou. A levamos para casa ainda adormecida mas quando voltou a si já não era a mesma. Não conseguia se levantar, não comia, não bebia e seus rins pararam de funcionar. Todas as manhãs, eu e meu filho a colocávamos em um edredon que improvisamos como maca e a coduzíamos de carro até a clínica veterinária onde ela passava o dia no soro, sendo medicada na tentativa de reverter aquele quadro tão triste. Larguei meus compromissos de trabalho, casa, filhos, etc. e passei a me dedicar somente a ela. Passava o dia todinho a seu lado na clínica, alisando seu corpo,beijando, fazendo carinho, falando coisas que ela gostava de ouvir. Cada vez mais o quadro se agravava mas eu não conseguia autorizar a eutanasia. De forma alguma eu conseguiria deixá-la partir, mesmo sabendo que ela sofria,porque seu rabo ainda balançava quado eu falava com ela e eu sabia que ela queria ficar. Todas as noites eu e meu filho fazíamos o caminho inverso para não deixá-la sozinha na clínica. Fiz de minha sala um quarto de hospital e passei a dormir a seu lado, oferecendo água, dando remédio, tudo na esperança de que ela superasse aquela fase e voltasse pra mim. Nada adiantou. Após nove dias, em uma manhã, quando eu me preparava para levá-la novamente à clínica, ela pareceu melhorar e num ímpeto tentou levantar-se, mas não conseguiu. Fui correndo até a cozinha, peguei um pires com água e trouxe pra ela. Segurando sua cabeça que já não conseguia firmar-se, ela deu duas lambidas na água, olhou para o meu rosto, deu um leve gemido e....morreu!
Não é preciso dizer o quanto sofri, o quanto minha família sofreu.
Guardamos conosco todas as boas recordações e todas as lições que ela nos ensinou ao longo de seus onze anos de vida.
Faz oito anos que ela morreu e ainda hoje sonho constantemente com ela e sei que lá, do outro lado da porta...ela espera por mim.

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