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Crônica
 
UMA TERÇA FEIRA PRA SER ESQUECIDA
Por: Aniel dos Santos


Eu estava voltando do centro da cidade para minha casa (moro num bairro um pouco afastado do centro) e já bem próximo de minha casa encontro um velho amigo. Ele estava ao telefone enquanto caminhava em direção contrária à minha. Fez-me um sinal que queria falar comigo, no que eu parei e esperei o encerramento do telefonema. Entabulamos um papo e como era véspera de eleição, falamos de política entre outros assuntos. Ficamos por mais de uma hora versando sobre música, rádio (ele tem um programa de rádio), peças teatrais e, claro, os rumos da política.
Quando já estávamos para nos despedirmos, eis que chega um cidadão interpelando o meu amigo: ─ ´Ocê dirige carro?

Ficamos por uns momentos sob o efeito do elemento surpresa, porque afinal, ele nem nos disse um “Boa tarde!”. Todavia as desculpas vieram em seguida e num tom de quem faltava cabedal: ─ ´Cês me discurpem; é qui eu tô afrito pra levar um carro qui eu trabaio cum ele ali imbaixo e vou tê qui vortá a pé. Só qui cum esse sol qui tá fazeno, num vai dá num. Entonce eu queria pidi pro sinhô levar o meu carro e eu lhe trago de vorta.

Bem, como meu amigo não dirige, sobrou pra mim. Coloquei-me à disposição do indivíduo, despedi-me do amigo e saímos na direção indicada. Coisa boa esta vida de interior; mesmo a gente não conhecendo as pessoas, acaba dando aquela força e no final tudo dá certo...

Durante o percurso até o local indicado, ele me explicou que trabalhava como motorista de uma instituição beneficente e que o carro estava com problemas e por isto precisava ser deixado numa oficina pra passar por uma manutenção. A oficina ficava longe do prédio da instituição, de onde ele teria que voltar para apanhar o seu carro.
Chegamos...

Quando ele me mostrou o carro e me passou as chaves, com algumas recomendações, lembrei-me do primeiro carro que comprei e que estava mais pra uma lata velha. Pra começar a andar naquele veículo, tive que mexer em 22 itens. É mole? Mas, prossigamos... Entrei no carro e dei partida. Até aí tudo bem. Mas, quando fui regular os retrovisores, nada. Nem mexiam. Entendi que teria que rodar sem usar esse recurso. Liguei a seta pra arrancar e o limpador de pára brisa foi ativado e pra desligá-lo, foi um Deus nos acuda.
Segui na direção indicada...

Ao passar pelo centro da cidade, fui envolvido numa blitz e a parada foi inevitável, uma vez que cheguei quando os policiais começaram a parar os primeiros veículos. A partir daí, comecei uma série de explicações e que por sorte, funcionaram. Após muitas inquirições, saí sem multa, apenas com atraso, pois, nesta altura o cidadão já havia chegado ao destino. Ainda bem que eu sabia onde fica o local. Sem falar no encontro com a polícia e nas explicações que tive que dar, passei o carro ao cidadão que já estava, pelo visto, impaciente.
Ele nos conduziu de volta...

Cheguei à minha casa por volta das 15h. Só aí foi que eu lembrei de que nem havia almoçado. Contei o episódio pra minha esposa enquanto ela servia o almoço. Naquele instante o interfone tocou insistentemente. Quando atendi, tratava-se do mesmo cidadão. Pensei comigo interrogativamente: “O que será agora?” A resposta: eu havia esquecido minha carteira no veículo dele.
Que terça feira, heim!?

31/10/2208

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