A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

ALESSANDRA LELES ROCHA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Jornalismo
 
Ser X Ter
Por: ALESSANDRA LELES ROCHA




Creio que ninguém mais dúvida sobre as reais necessidades de mudança no perfil ambiental para que o planeta Terra continue sobrevivendo. Mas, na busca dessa tão sonhada sustentabilidade do Meio Ambiente não se pode esquecer-se do ser humano como eixo central da reflexão.
Sim! Parte de nós, os exemplares da espécie Homo sapiens, o papel principal tanto no que tange a formulação e a ação dos impactos negativos, quanto à elaboração e implementação consciente e urgente das soluções. Depende de nós a ousadia em alavancar a estruturação de novos tempos, de novas práticas, de novos paradigmas que nos permitam de fato a convivência cíclica e harmônica entre todos os elementos que compõem o globo terrestre.
E diante dessa constatação, talvez esteja a resposta simples e objetiva para que tudo seja tão difícil de operacionalizar. A partir do momento em que os valores humanos, éticos, morais se perderam no turbilhão de uma corrida altamente competitiva, na qual o TER ocupa um espaço maior e muito mais vital do que o SER na existência humana, pouco valor tem sido dado à vida, em todos os seus aspectos. Tomando como base o episódio mais recente na mídia, sobre o ataque da marinha israelense a uma frota de navios carregados de suprimentos para ajuda humanitária aos palestinos da Faixa de Gaza1, fica claro a pouca vontade do ser humano viver em paz, em coexistência com seus semelhantes, em priorizar a preservação do ser humano como bem maior e inalienável para a sobrevivência do próprio planeta. Derramam sangue, ódio, revanchismo, intolerância, como água sagrada que pudesse salvaguardar os tesouros desse mundo. Brigam pelo etéreo construído por sua lógica humana, ou seja, os limites, as fronteiras geográficas, as religiões, as convicções. Morrem e matam ao longo dos séculos e não encontram em si, na sua própria fragilidade humana razões absolutas para interromper tamanha barbárie cíclica. Não se trata de agir em nome do instinto de sobrevivência animal, na disputa natural do mais sobre o menos apto, numa contenção natural da explosão demográfica,... Não se trata de nada que o bom senso possa explicar!
Se a realidade paga sua construção a esse preço, como esperar que abrindo o foco desse olhar tão estreito o ser humano consiga enxergar seu próprio entorno? Diante de fatos tão absurdos, tão graves, a impressão que nos passa é de que ele não tem nada a perder; e esse “não ter nada a perder” é a grande trava sobre seus olhos. Tudo deixa de ser importante, vital, passível de análise e reflexão; age-se no imediatismo da insanidade coletiva que dita novos preceitos e regras sociais, onde as raias de percepção e consciência tornam-se cada vez mais egoístas e solitárias. A luta pelo verde se torna apenas estratégia superficial de marketing, cuidar da Amazônia é muito trabalhoso pela distância geográfica, o degelo das calotas polares é problema de ursos brancos e pinguins, o aquecimento global se resolve com bons e modernos ares condicionados, transgênicos ampliam a diversidade dos legumes e nos ajudam a melhorar o apetite, enfim... Desde que não me incomode, não me faça perder meu precioso tempo em discussões exaustivas, que eu tenha meios de pagar a conta de quaisquer prejuízos, a questão ambiental estará sempre relegada ao último degrau na escala de prioridades humanas.
Infelizmente é assim! Enquanto uma minoria se debate há anos tentando alertar sobre o caos instalado na Natureza e a inevitável responsabilidade humana sobre ele, a grande massa que compõem a aldeia global faz “ouvidos de mercador”. Às vezes, quando lhes recai sobre os ombros alguma tragédia ambiental, alguns retomam a consciência, mas aí o prejuízo já causou impactos irreparáveis. É preciso entender de uma vez por todas que esse assunto não é mero discurso, nem “achismos” de gente desocupada que não tem mais nada a fazer; discutir a preservação do Meio Ambiente é defender a própria vida, o próprio amanhã. O terrível complexo faraônico da humanidade em construir heranças milionárias, em pilhar o mundo para a satisfação de seu megalomaníaco benefício é que tem transformado o planeta num grande túmulo, como eram as pirâmides egípcias - assim como nelas, restarão às riquezas que não levaremos após a morte para nosso usufruto na eternidade -, onde restará o pó, aquele de onde um dia viemos. Então, deixemos de ser HOMEM BICHO e passemos a ser BICHO HOMEM, pensantes, racionais, responsáveis pela perpetuação de nosso DNA, merecedores do mágico instante da vida que temos nas mãos.

_______________________________________


1 http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2010/06/brasileira-relata-ataque-de-israel.html; http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/06/situacao-em-gaza-e-inaceitavel-diz-hillary-clinton-apos-ataque-israelense.html; http://oglobo.globo.com/economia/mat/2010/06/01/ataques-de-israel-matam-mais-cinco-palestinos-na-faixa-de-gaza-916751808.asp

 Comente este texto
 Paralerepensar


Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: PWTS (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.