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ALESSANDRA LELES ROCHA
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Rosas sem espinhos, por favor!
Por: ALESSANDRA LELES ROCHA



Rosas sem espinhos, por favor! Talvez este seja o desejo de milhares de mulheres, de todas as idades, credos, etnias, profissões, nacionalidades, ao redor do globo. Por detrás da simples simbologia de ser presenteada com flores - o tradicional galanteio masculino na arte da conquista e da sedução – escondem-se espinhos bem mais pontiagudos, ferinos, traiçoeiros, os quais poderão desferir sobre elas marcas, muitas vezes, irreparáveis.
É! Como render-se a delicadeza das rosas, das orquídeas, das violetas, das gérberas e afins, se as intenções são o extremo oposto? Distante do saudosismo, mas ciente de que houvera tempos em que a corte a uma mulher era motivo de todo o requinte e arte; mas, também, o prenúncio da seriedade, da sinceridade, do desejo real de ter com a escolhida laços de afeto, ternura, carinho, amor, amizade e, sobretudo, respeito. Tempos em que a mulher certamente não dispunha da sua liberdade, da sua autossuficiência, mas era vista dentro da sua grandiosa força feminina e por isso cultuada, venerada, admirada e respeitada. Mesmo quando se falava em termos de dote, ainda sim, o noivo houvera de cumprir com respeito e seriedade aos compromissos estabelecidos junto à família da noiva.
Mas, o relógio correu depressa seus ponteiros e tudo ficou para trás, adormecido e empoeirado nas épocas em que se honravam os valores, os princípios, o próprio ser humano. Hoje, recebemos flores como quem recebe bananas, porque quem as oferece quase sempre faz por mero rito protocolar na ânsia de parecer diferente dos demais – dar flores ganhou status de pieguice e falta de criatividade para uma sociedade de sentimentos frívolos e fugazes – e, quem as ganha, nem sempre vê com bons olhos o gesto, como se o romantismo atrasasse por demais os objetivos finais da conquista.
E assim, as mulheres que ganharam tantos novos espaços de destaque na sociedade vivem a triste sina de não mais saber o que se escondem sob as rosas, sob as patinhas brancas de gatos selvagens que vivem pela noite a bradar seu miado. Elas aprenderam a lidar com os espinhos das rosas de outrora; mas, ficaram a mercê da sua própria revolução feminina. As conquistas que aceleraram e alteraram os padrões sociais de comportamento de homens e mulheres os colocaram em xeque mate, no risco iminente de dormirem com o inimigo. Falando assim até parece que estamos cercados por psicopatas; mas, se não são maioria, também não distam de se apresentarem em número bastante expressivo. Na grande aventura humana ser sozinho não é premissa para viver; ao contrário, homens e mulheres nascem para desfrutar o compartilhamento sublime que suas diferenças são capazes de realizar. Mas a pressa a que estamos subjugados tem descompassado o ritmo dos acontecimentos e levado a um afã de se equivocar na escolha desse par; então, a análise da convivência na maioria das vezes só acontece, quando ambos estão sob o mesmo teto e pode terminar de maneira fatal.
Alarmismo nestas palavras? Não, nenhum! A mídia dispõe de exemplos mil todos os dias sobre a violência sofrida pelas mulheres em nosso país1 – isso para não falar no que acontece em países cujo poder do Estado e da Religião colaboram de forma significativa para a desvalorização feminina e a hipervalorização masculina, gerando todo o infortúnio de violências – quando, esses relatos chegam ao conhecimento das autoridades responsáveis. Muito da violência que acomete as mulheres ainda se esconde sob a insígnia da vergonha, do preconceito, da baixa autoestima, da indiferença da própria mulher. São mulheres que justificam o sofrimento parafraseando inadvertidamente Machado de Assis2, “Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!” 3, e assim vão levando a vida com as marcas que permitem gravar no corpo e na alma.
Tanto as rosas quanto os espinhos é preciso lembrar que chegam cedo à vida de uma mulher. Antes de tudo é preciso ter consciência de que as mudanças sociais, políticas, econômicas, ambientais ocorridas no planeta Terra, em momento algum, fizeram com que os indivíduos perdessem sua essência. Mulheres continuam mulheres; assim como, homens continuam homens. Diante dessa verdade inconteste o que jamais poderia ter se perdido é o respeito pelo ser humano, à vontade de tratá-lo e desejá-lo com a singularidade merecida, a necessidade do cuidar, do querer bem em todas as voltas que a vida dá, de maturar o amor até vê-lo desabrochar em novos frutos. É preciso que as mulheres deixem de se contentar em receber guirlandas de espinhos ao invés de perfumados ramalhetes de rosas, de generalizar o universo masculino como “tudo igual” e buscar na exigência que seu coração confere companheiros de jornada, dispostos a olhar-lhes nos olhos e reconhecer-lhes seres especiais e imprescindíveis na conquista de um mundo melhor, mais justo, mais fácil de viver.

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1 http://www.violenciamulher.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1494:lei-maria-da-penha-um-compromisso-para-a-justica-brasileira-valeria-pandjiarjian-site-campanha-dos-16-dias&catid=1:artigos-assinados&Itemid=5

http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_capas&view=capas&tplay=sub&capaid=7&Itemid=32

2 http://www.releituras.com/machadodeassis_bio.asp

3 http://www.pensador.info/autor/Machado_de_Assis/2/

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