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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
O povo e o direito de escolha
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Nem goela abaixo, muito menos imposição!


As recentes manifestações no Chile e o resultado das eleições presidenciais na Argentina sinalizaram que nenhum regime imposto à força, como também baseado em falsas promessas, consegue impedir que a insatisfação popular venha à tona. O neoliberalismo que transformaria esses países vizinhos em verdadeiros paraísos terrestres mostrou sua face mais cruel para os pobres e dependentes de serviços essenciais públicos. Parece que somente os brasileiros ainda acreditam que o deus mercado resolverá todos os problemas gerados pela desigualdade.
O histórico das ações implantadas durante a Ditadura Militar no Chile, sob o comando do general Augusto Pinochet, até pouco tempo eram o orgulho dos Chicago’s Boys, os discípulos do norte-americano Milton Friedman que usaram este país como um laboratório do neoliberalismo. Entre os iluminados da equipe estava o atual ministro brasileiro Paulo Guedes, o conhecido Posto Ipiranga porque tem resposta e solução para tudo. Mas, no solo pátrio a única proposta concreta dele, por enquanto, é economizar R$1 trilhão em 10 anos, fazendo a Reforma da Previdência.
Curioso é que a situação de penúria no Chile com os aposentados e dependentes deles é exatamente por causa do sistema de capitalização implantado e usado como modelo a ser aplicado no Brasil. Lógico que os efeitos não foram imediatos por lá, como não será por aqui, mas o reconhecido fracasso não deveria ser questionado pelos que aprovaram a proposta no Senado? Quantos que dependerão da aposentadoria foram consultados? De que maneira isso foi esclarecido para os interessados? Por que será que todas empresas apoiam 100% esta Reforma?
Ironicamente a mídia divulga dados sobre o crescimento dos milionários nos países que adotaram o neoliberalismo. O que isso mostra quando comparado com os que passaram a viver em condições piores com o aumento na concentração da riqueza? Quantas portas da oportunidade para os pobres se fecharam com a privatização de todos os serviços públicos essenciais? Os dados da Escola de Economia de Paris indicam que o Chile é o terceiro colocado entre os países que possuem a maior concentração de renda no mundo. Isso é bom para quem?
Por que os exemplos vistos tão perto de nós não servem para uma análise consciente do que o neoliberalismo voraz provoca nos mais pobres? Até onde se sabe o Brasil está muito longe de ser um país rico, mas alguns empregados da classe média acham que a concentração de renda não os afetará. A perda do poder aquisitivo pode demorar, mas chega. Deixar de pagar o plano de saúde, tirar os filhos da escola particular, ficar inadimplente nos financiamentos da casa própria e do carro... restringir os momentos de lazer para caber no orçamento que encolheu. Impossível?
Torcer pelo insucesso é falta de inteligência, mas acreditar em conto de fadas é ingenuidade. Qual empresa investe num país sem mercado consumidor interno com poder aquisitivo à altura? Onde todos reclamam das precárias condições das infraestruturas física e intelectual? Que sobrecarrega os produtos manufaturados com tributos excessivamente inaceitáveis? A culpa, todos sabemos, é do trabalhador que custa muito caro e produz abaixo do aceitável. Talvez a solução seja a que propõe o nosso presidente Mito: emprego sem direitos!
Mas o brasileiro é um otimista incurável e acha que não deve se preocupar com o que está acontecendo com os infelizes chilenos e argentinos. Afinal, somos abençoados por Deus e ricos por natureza. Ignora que nenhum dos benefícios prometidos que viriam a reboque das Reformas aconteceu, mas acredita que o governo atual está no caminho certo e só precisa de mais tempo para consertar os estragos deixados pelos antecessores. Postam nas redes sociais os vultosos investimentos que empresas multinacionais farão no Brasil – vive de esperanças.


J R Ichihara
28/10/2019

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