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Jornalismo
 
Muros visíveis e invisíveis
Por: Marlene Nascimento

O Muro de Berlim foi iniciado em 13 de agosto de 1961. Lembro-me àquele tempo, que li um artigo onde um moço bradava desesperado, “Não, por favor... A minha noiva mora do outro lado, ela está grávida!”, enquanto levantavam cercas de arame farpado, pegando a população de surpresa, impedindo a passagem de um lado para outro. Possivelmente, o noivo nunca mais viu a noiva.
Durante a construção do muro muitos tentaram atravessar, e desse muitos, nos seus 28 anos de existência muitos morreram. Derrubado há 30 anos, processos foram instaurados por parentes de vítimas que morreram na tentativa de atravessá-lo. Atualmente há uma barreira invisível separando a Alemanha, onde alemães do norte consideram os alemães do sul cidadãos de segunda classe.
Outro muro invisível separou o Vietnã do Norte do Vietnã do Sul. A Conferência de Genebra de 1954, em prol de debater assuntos políticos vietnamitas, dividiu o Vietnã em dois países, com a promessa de eleições democráticas para reunificá-lo. No entanto, ao invés da reunificação pacífica, a divisão do país levou à Guerra do Vietnã, que durou de 1955 a 1975. Estimativas dizem que 58 mil americanos e ao menos 1,1 milhão de vietnamitas para mais, morreram no conflito, fora outros países envolvidos que também sofreram baixas consideráveis.
Houve também o conflito ideológico entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, que contou com a intensa participação do exército americano, de 1965 a 1973. Estima-se que 1,5 milhão e 3 milhões de pessoas tenham morrido no conflito.
O conflito na Irlanda do Norte e a Irlanda do Sul, causou grande perda de vidas durante a segunda metade do século XX. Foi uma rivalidade entre católicos e protestantes que mergulhou o país num conflito sangrento, e perdura com menos intensidade nos dias de hoje.
A Índia de Mahatma Gandhi, que vivia sob o jugo britânico, conquistou sua independência, mas Gandhi teve que se contentar com a divisão do Império Britânico da Índia em dois domínios: a Índia de maioria hindu e o Paquistão de maioria muçulmana. Muitos conflitos irromperam após a decisão britânica.
Muros e muralhas sempre dividiram cidades e países do mundo antigo e atual, como a Muralha da China, construída pelo desejo megalomaníaco do imperador Chin Shih-Huang Ti, uma vez que historiadores não encontraram evidências de ameaças de invasão significativas para tal investimento; como a muralha de Adriano erguida no Império Romano, cujo objetivo era proteger e delimitar um território; como a Muralha de Rodes, construída após muitos ataques sofridos; como a Muralha de Constantinopla no atual Istambul, também construída para proteção de ataques bárbaros; como as Linhas da Paz, na Irlanda do Norte, Belfast, que separam comunidades católicas e protestantes; como o Muro da Vergonha, em Lima, Peru, erguido com o objetivo de separar ricos e pobres.
Não nos esqueçamos de citar os imigrantes fugidos dos conflitos armados e da Fome, que são recebidos a cacetadas, a pedradas, a tiros, em países em que tentam refúgio, tentando recuperar a dignidade perdida em seu próprio país.
E temos também o Brasil do Norte e o Brasil do Sul. Opa! Espera aí... Não existe tal separação no Brasil? Sim, existe. Sulistas miscigenados, mestiços, são loucos para que se construa um muro visível - o invisível já existe - no meiozinho do país para não se misturarem com os nortistas. Aqui também existem muros invisíveis em praias lindas, onde condôminos ricos rivalizam com pobres e caiçaras. Há de se conhecer também cidadães que passam anos se esbarrando e não se cumprimentam, porque há um muro invisível entre eles. Ah, lembre-se dos muros visíveis dos vizinhos, dos nossos muros. O meu muro é alto. Os dois portões são bem fechados. Não vejo viva alma passando (nem quero ver!).
Destarte, é como somos: contemporâneos, modernos, abitolados em internet, celular, deslumbrados em exposições virtuais, e devidamente murados.

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