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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Goleada da inconsciência na consciência
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quando o merecimento depende da cor da pele...


Que não se reconheça que houve escravidão, muito menos holocausto, assim como a Ditadura Militar na América do Sul é um direito pessoal. Afinal, cada um acredita no que quiser, independentemente dos fatos e dos registros históricos. Mas o que preocupa os estudiosos do comportamento humano é o deboche que muitas pessoas de bem usam sobre esses assuntos. Em plena era da Democracia e da busca por uma convivência civilizada, o deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) quebrou uma peça sobre a Consciência Negra exposta na Câmara.
O 20 de novembro foi escolhido como o Dia da Consciência Negra em homenagem a morte de Zumbi dos Palmares, o líder do Quilombo dos Palmares. Dizem os registros históricos que ele acolhia os escravos fugitivos e lutou para preservar os costumes e o modo de vida deles antes da vinda da África, para a escravidão no Brasil. Como em qualquer fato histórico as versões enaltecem ou destroem a figura de algum homenageado, especialmente se for um negro oriundo da classe da base da pirâmide. Há os que falam horrores deste símbolo de resistência. Portanto...
Oficialmente a data foi instituída através da Lei 12.519 de 10 de novembro de 2011, no mandato de Dilma Rousseff, mas foi durante o governo Lula, através da Lei 10.639 de 9 de janeiro de 2003, “Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’.”, que isso veio ao conhecimento público. Numa viagem ao Senegal, em abril de 2005, Lula pediu perdão aos africanos pelo sofrimento imposto ao período da escravidão no Brasil, apesar de não ter responsabilidade sobre o que aconteceu nos séculos 16, 17 e 18.
Mas o gesto de reconhecimento do ex-presidente Lula passa muito longe do que pensam os apoiadores do atual governo federal. Quando homenagearam a vereadora negra do Rio de Janeiro, Marielle Franco, assassinada junto com o motorista Anderson Gomes, com o nome de uma rua nesta cidade, o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) quebrou a placa que continha esta identificação. Na véspera do Dia da Consciência Negra ele voltou à carga declarando: “Tem mais negros com armas, mais negros no crime e mais negros confrontando a polícia”. Por quê?
Talvez o brasileiro mais conhecido internacionalmente seja um negro ex-jogador de futebol. Ele foi recebido por reis, príncipes, líderes mundiais dos quatro cantos do planeta, presidentes da República e até pelo Papa. Mas para muitos brasileiros ele não vale um tostão furado porque não reconheceu a paternidade de uma filha bastarda. Os seus feitos dentro das 4 linhas foram desfeitos por uma atitude pessoal – um valor sagrado para o brasileiro que aceita tudo, menos isso. Pelé, lamentavelmente, não merece ser ídolo de um povo corretíssimo.
Infelizmente a consciência está perdendo de lavada para a inconsciência. À parte desconhecer que houve ditadura em vários países da América do Sul, inclusive no Brasil, o deputado estadual Frederico D’Ávila (PSL-SP) propôs um Ato Solene, na Assembleia Legislativa de São Paulo, em memória de Augusto Pinochet, o ditador que governou o Chile no período de 1973 a 1990. A rejeição foi enorme, inclusive do embaixador do Chile no Brasil, Fernando Schimdt, que classificou de lamentável a realização do ato. Alguém percebeu a intenção embutida nisso?
Para quem acredita no espírito pacificador do brasileiro, mas apoia as declarações racistas, ditatoriais e homofóbicas do presidente Mito, achando que a única maneira de construir um país justo para todos é agindo desta forma, só resta aguardar como a História será contada depois desta fase nebulosa e preocupante que vive parte da população. Se fazer homenagem nas Casas Parlamentares a torturadores, assim como condecorar milicianos, é um meio legal para erguer um pedestal inquestionável... Por que um ato pessoal de outro ídolo incomoda tanto?


J R Ichihara
21/11/2019

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