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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
São Pedro para o Brasil
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O poder das águas sobre o país


Qualquer brasileiro sabe que a região mais importante do país é o Sudeste, formado pelos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Pode-se dizer que é o centro de desenvolvimento e da produção do Brasil. Os separatistas falam que eles “carregam” os preguiçosos do Norte e Nordeste nas costas. A veneração é tanta que é comum ouvir que São Paulo é a cidade que não para, não dorme... abriga a população mais trabalhadora do Torrão Nacional. Um orgulho que só os que não vivem lá podem ignorar e deixar por menos.
Mas o que poderia ser um modelo de gestão eficiente é facilmente destroçado quando as chuvas torrenciais desta época do ano atingem este centro de excelência. As imagens de desespero dos feirantes numa rua da grande Belo Horizonte, vendo tudo navegar ao sabor da correnteza, comprovam que a omissão ganha disparado da providência. Os desmoronamentos e alagamentos no Rio de Janeiro e em São Paulo param essas cidades, queiram ou não os que precisam seguir para o trabalho. Adianta culpar somente a população que joga lixo nas ruas?
O nosso país é rico em crenças e deposita nelas as esperanças que fogem à ingerência das autoridades. Se os governadores não investem no armazenamento e distribuição de água potável, o jeito é apelar para São Pedro, o santo que faz chover. São Paulo já viveu esta situação, apesar da mídia não explorar o assunto como deveria. Talvez porque a gestão do estado esteja sob o domínio tucano (PSDB) cerca de duas décadas. Provavelmente o tratamento seria diferente se os petistas estivessem à frente deste governo. Mas o tratamento para elite é outra coisa!
Enquanto no Sudeste o excesso de água prejudica os moradores das maiores cidades, no Nordeste é a falta que escraviza o sertanejo, por causa da indústria da seca. O apelo nesta região também é bem diferente dos esclarecidos da parte nobre do país. No pedaço subdesenvolvido do Brasil, o santo que faz chover é São Jose. Se no seu dia as gotas milagrosas não caírem do Céu para molhar a terra, o povo sofrerá mais um período de estiagem. Mas a tentativa de desviar parte do Rio São Francisco para irrigar algumas áreas foi muito criticada.
Toda vez que o país assiste uma tragédia provocada pelas enchentes, ou sente a ameaça da falta de água potável, o discurso é o mesmo: faltam recursos para realizar as obras que solucionariam os problemas. Mas o que não convence o contribuinte que sente os efeitos disso na pele é porque nunca falta dinheiro para bancar as mordomias dos privilegiados da Alta Administração, parlamentares, filhas pensionistas de militares e membros do Poder Judiciário. Seriam esses os “parasitas” que sugam os recursos públicos? Ou não há prioridades neste país?
Infelizmente a morte de um conhecido ex-militar do círculo de amizade do presidente Bolsonaro – fala-se em queima de arquivo –, num sítio na Bahia, ganhou mais destaque que a situação caótica mostradas no Rio, São Paulo e Minas Gerais. O que mais se ouviu entre a população e as autoridades é que a responsabilidade pelas enchentes é totalmente das pessoas que jogam lixo nas ruas que entopem os bueiros. Ou seja, o governo faz a sua parte, mas o povo não ajuda a evitar as situações emergenciais. Por que eximir de culpa um governo incompetente?
A verdade é que o Brasil possui vários gargalos que podem parar suas maiores cidades e até toda a movimentação de cargas transportadas pelas rodovias. Uma simples greve de caminhoneiros mostrou o estrago que isso pode causar na economia e no abastecimento. Se os metroviários, lixeiros e demais servidores “parasitas” decidirem parar de trabalhar... O todo-poderoso ministro Paulo Guerra vai sentir a consequência de falar o que não deve. Alguém sabe as medidas preventivas que serão implantadas contra as enchentes no país? Isso aqui é Brasil!


J R Ichihara
11/02/2020

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