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ALESSANDRA LELES ROCHA
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Money, Money, Money...
Por: ALESSANDRA LELES ROCHA




O dólar alto é bom 1. Bom para quem “cara pálida”? Banqueiros? Grandes investidores? Industriais? Para quem? Estou certa de que não é para os 11,9 milhões de desempregados e, nem tampouco, para uma grande parcela da população que vive com um salário mínimo, ou pouco mais que isso ao mês.
Dólar alto é gasolina mais cara. Diesel mais caro. Gás de cozinha mais caro. Pão francês mais caro. ... Tudo o que esteja atrelado economicamente a ele fica mais caro. A alta do dólar impacta direta e negativamente o cotidiano da população; sobretudo, nas questões mais fundamentais como transporte e alimentação. Por isso não cabe escárnio de nenhuma ordem para se referir as variações da moeda norte-americana.
Ir a Disneylândia só se for sonho, e olhe lá! Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quanto a Síntese de Indicadores Sociais (2018) 2, 55,7% da população brasileira encontra-se nas classes D/E, 25,7% na classe C, 14,7% na classe B, e 3,9% na classe A. Isso significa que mais da metade dos cidadãos vivem a dura realidade cotidiana que os distancia dia a dia de perspectivas tão ousadas, como uma viagem internacional, por exemplo.
Esse imenso contingente de pessoas é, portanto, o mais afetado pela alta do dólar em virtude da menor renda mensal. Infelizmente, eles estão “anos luz” da materialidade dos seus direitos constitucionais 3. Eles, na verdade, não vivem; são sobreviventes de conjunturas pouco aprazíveis à dignidade humana, à dignidade cidadã. E mesmo assim pagam impostos, muitos, todos os dias. Porque para isso basta estar vivo, basta ter que consumir o pão, o café, a manteiga,...
Por enquanto as classes C e B, ainda se sustentam diante das investidas perversas do dólar. Cortam daqui. Reduzem dali. Mas até quando, ninguém sabe. A Economia não é uma ciência muito previsível, como gostaria o cidadão. Um vírus, uma guerra, um boicote, e pronto; tudo vira de cabeça para baixo da noite para o dia. E aí, quando se dão conta, os parcos vinténs economizados vão se esvaindo para cobrir as despesas correntes. Que ninguém fique desempregado já não é mais oração; é mantra repetido três vezes ao dia.
No mundo encantado da fantasia, só mesmo a classe A. Ressalvo alguma mudança abrupta nos ventos, como aconteceu na Crise de 1929. De modo geral eles entram e saem das crises com ares de felicidade, como se não fossem parte do mundo. De certa forma eles não são. Alguns personificam as riquezas passadas de pai para filho. Outros, a ajuda “miraculosa” para acertar na loteria. Alguns, a esperta aptidão para os jogos políticos. ... A verdade é que para eles o dinheiro não é problema. Está sempre bem investido, bem aplicado e bastante rentável; o que basta para colocá-los “acima dos pobres mortais”.
Enquanto os “patetas” daqui exaurem seus esforços herculanos para mover as engrenagens do país e sobreviver em nome do pão nosso de cada dia, os 3,9% da população brincam com o Pateta e sua trupe na terra do Tio Sam. O que significa se olharmos com mais atenção o tamanho da desigualdade existente no Brasil. Uma desigualdade que ultrapassa as fronteiras meramente econômicas para abarcar substancialmente “a educação, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social”. O impasse entre a dificuldade de prover tudo isso pelo Estado, como prevê a Constituição, e a impossibilidade do cidadão em suprir autonomamente, dados os baixos salários, aprisiona a possibilidade de resolução para essa desigualdade. Do mesmo modo que aprisiona os sonhos, as esperanças, as expectativas,...
Diante do exposto, eu aproveito para finalizar com as palavras do Professor e Geógrafo Milton Santos 4, “A evolução do homem: na pré-história o homem das cavernas vivia em bandos para se defender dos predadores, hoje o homem vive em bandos para depredar”. Uma bela reflexão para o dia em que se comemora o nascimento do “pai” da Teoria da Evolução, Charles Darwin.


1 https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2020/02/12/internas_economia,1121449/guedes-diz-dolar-alto-bom-empregada-estava-indo-para-disney-festa.shtml
2https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/ce915924b20133cf3f9ec2d45c2542b0.pdf
3 Constituição Federal de 1988. Cap. II. Art. 6º.
4 http://miltonsantos.com.br/site/biografia/

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