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ODILON DE MATTOS FILHO
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COVID-19 E CAPITALISMO
Por: ODILON DE MATTOS FILHO

Depois de várias tragédias como guerras e Pandemias no Século XX o Século XXI, certamente, já está marcado por essa cruel pandemia do COVID-19.

Essa Pandemia, segundo noticiado, teve início na província de Wuhan na China. Não se sabe ao certo como esse vírus se espalhou. Há suspeitas de que o surto inicial tem alguma associação com um mercado de frutos do mar em Wuhan. A transmissão deve ter ocorrido entre animais marinhos e humanos. Mas outros animais podem ter servido de hospedeiro do vírus, como, por exemplo, o morcego, um mamífero portador de um número considerável de coronavírus diferentes.

Mas, não obstante a gravidade do COVID-19, essa Pandemia ajudou a desnudar a falácia argumentativa dos defensores do capitalismo e do “Deus mercado" e mostrou às entranhas da dura realidade do Brasil e de outros países periféricos cujo aos povos são negados as comezinhas necessidades básicas como, por exemplo, acesso à água tratada, ao saneamento básico, habilitação, sistema de saúde e de educação com qualidade, emprego, enfim, toda rede de proteção social. Conclusão: é um povo totalmente desassistido e largado ao sabor da sorte por esse cruel sistema.

Por longos anos e até hoje acompanhamos os argumentos sobre o tal “Estado mínimo” e o livre mercado, denominado de globalização neoliberal, mas, que hoje se apresenta com uma velha roupagem: "financeirização da economia", modelo que nasceu na década de 1920, cujo resultado foi a maior crise econômica mundial ocorrida em 1929 que ficou conhecida como a "Grande Depressão". Esse modelo volta em 1980 e no decorrer dos anos acompanhamos vários e pequenos abalos sísmicos nas economias mundiais, até que veio o forte terremoto com a grande crise econômica de 2008, cujos reflexos são sentidos até, hoje, pela economia mundial.

Essa nova/velha "modalidade" do capitalismo, além das grandes crises econômicas que pode produzir, vide 1929 e 2008, é vista, também, como a mais perversa, pois, ela não produz um único prego e, por conseguinte, não gera um único emprego, mas, em contra partida, triplica os lucros, ou melhor, os dividendos das multinacionais, transnacionais e dos grandes monopólios, por meio de seus programas de recompra de ações.

Aliás, sobre essa nova modalidade de exploração e acumulação de riqueza, a revista "A Verdade" com muita propriedade didática e teórica nos ensina que "..a soma de todos os programas de recompra de ações das 500 maiores empresas estadunidenses ultrapassa pela primeira vez um trilhão de dólares. A recompra de ações continua sendo uma maneira eficaz de sustentar a cotação em Bolsa...A valorização do capital não é garantida por investimentos produtivos, assim é necessário encontrar outros meios. E esses são os da especulação, dos capitais fictícios, a chamada bolha financeira, que pode explodir a qualquer momento, como está ocorrendo agora como resultado da pandemia. É o parasitismo imperialista que destrói tudo1"

E é este modelo que está levando o mundo à beira do precipício com suas criminosas e perversas políticas contra a humanidade.

Aliás, para corroborar essa afirmativa, valhamo-nos dos números apresentados pela OMS, ONU e pela OIT que nos dão a dimensão dessa catástrofe. “O mundo possui hoje 6,0 milhões de seres humanos que morrem de sarampo a cada ano, lembrando que existe vacina e tratamentos para essa doença. Mais de 1,5 milhão de pessoas morrem por tuberculose (doença tratável). A cada dois minutos, uma criança morre de malária (doença tratável). A mortalidade infantil chega ao espantoso número de 9,0 milhões por ano e 821 milhões de pessoas sofrem com a fome e 10 milhões morrem. Outros números são, também, assustadores e nos força fazermos um profunda reflexão. O mundo possui hoje 2,0 bilhões de pessoas na informalidade e na precariedade, são 60% da população ativa. São 200 milhões de desempregados no Planeta, mas, enquanto o mundo passa por essa miséria, na outra ponta, só fartura. O volume de negócios das grandes indústrias militares é de 420 bilhões de euros e os dez maiores conglomerados farmacêuticos têm um faturamento de 323 bilhões de euros e distribuíram a seus acionistas 60 bilhões em 20192”. Para fircarmos somente nestes números!

A propósito, e a título de informação histórica sobre essas nefastas e criminosas políticas econômicas, vale citar o precioso trabalho do professor Carlos Eduardo Siqueira do Department of Work Environment, University of Massachusetts. Segundo o professor esse modelo econômico, “originou-se com Friedrich Hayek e foi promovido por Milton Friedman como uma intervenção teórica e política contra o estado intervencionista e de bem-estar defendido por Keynes. Este sistema doutrinário é também conhecido como Consenso de Washington que defende várias medidas draconianas, tais como: estabilização da economia (corte no déficit público, combate à inflação), em geral, tendo por elemento central um processo, explícito ou não, de dolarização da economia e sobrevalorização das moedas nacionais; b) reformas estruturais com redução do Estado, através de um programa de privatizações, desregulação dos mercados e liberalização financeira e comercial; c) abertura da economia para atrair investimentos internacionais e retomada do crescimento econômico3".

E lembremos que tais medidas foram implementadas por que inúmeros países, inclusive, o Brasil durante os governos Collor, Sarney, FHC, Temer e agora aprofundadas pelo atual governo que tem no seu ministro da economia, Paulo Guedes o nome que mais encarna esse modelo econômico que, sabidamente, é extremamente danoso ao país, em especial, para as áreas sociais.

O Sistema Público de Saúde, foi uma das áreas que mais sentiu essa política de desmonte, pois, desde a promulgação da CF/88, vem sendo sucateado, desprestigiado e sabotado por continuados governos. No mandato do golpista Temer, por exemplo, a saúde levou um grande golpe com a aprovação da PEC 95, conhecida como PEC da Morte, que, diga-se de passagem, obteve os votos favoráveis do então deputado federal Bolsonaro e do deputado Luiz Henrique Mandetta ex-ministro da saúde. Essa Emenda Constitucional retirou nada mais, nada menos, do que R$ 23 bilhões da saúde, impactando várias ações como, por exemplo, a promoção e prevenção na atenção básica e outras áreas do SUS. Hoje, o povo brasileiro está sentido, literalmente, na pele a falta destes recursos financeiros que, sabidamente, estão sendo utilizados para salvar a agiotagem institucional com o falso discurso de se estabilizar o mercado.

A troca do ministro Mandetta por um médico ligado ao mercado, reforça o nosso argumento de que, realmente, a prioridade deste governo é a economia, ou melhor, os banqueiros, e não as vidas humanas, o que nos afigura uma apequenada postura de subserviência ao mercado, uma torpe opção política visando 2022 e uma atitude, lamentavelmente, desumana, covarde e perversa por parte de um (des) governo que tem à frente um presidente, claramente, tutelado por militares.

Hoje, frente a essa gravíssima crise sanitária não pairam dúvidas de que esse modelo econômico se mostra totalmente, saturado, ineficiente e incapaz de atender as demandas básicas dos seres humanos, como por exemplo, a saúde, pois, foi por conta desse modelo que se retirou bilhões da área da sáude para bancar um sistema financeiro sem pátria e totalmente desregulamentado, e o resultado disso salta aos olhos: o caos e a perplexidade dos povos com um iminente colapso do sistema de saúde e a inevitável morte de milhares de cidadãos inocentes. Aliás, não foi à toa, que, há pouco tempo atrás, aconteceram inúmeras e grandes manifestações mundo afora contra esse sistema.

Neste contexto, se essa Pandemia desnudou o capitalismo selvagem e impactou a direita populista, especialmente colocando em cheque todos os seus discursos políticos/econômicos, por outro lado, entendemos que o pior está por vir. Somos da opinião que depois dessa crise sanitária e dos vindouros reflexos extremamente negativos para economia mundial, essa mesma direita populista ou extrema-direita, conhecida por alimentar o medo das pessoas, vai usar essa crise como álibi para aprofundar, ainda mais, essas politicas econômicas, além do que, vai utilizar-se de discursos de cunho ideológico para atacar aqueles países e governos que se oponham a esse sistema.

A propósito, neste sentido Paolo Gerbaudo diretor do Centro de Cultura Digital do King's College London em preciso artigo no jornal The Gardian pontuou: “Se a crise do coronavírus momentaneamente desorientou a direita populista, isso não significa que ela foi vencida. Seria equivocado para a esquerda acreditar que esta crise funcionará a seu favor. A direita já demonstrou sua capacidade de atacar o desespero popular e encontrar bodes expiatórios sociais para os males econômicos...As medidas autoritárias implementadas por Viktor Orbán na Hungria, com a suspensão do parlamento e a introdução do governo por decreto, podem ser a forma do que está por vir...Também é provável que vejamos uma exacerbação da retórica anti-chinesa, tipo, aliás, os EUA, Itália e Brasil já se manifestaram nesse sentido...”.

Continuando, Paolo Gerbaudo acrescenta: “...Dado os laços entre populistas nacionais, incluindo sua tentativa fracassada de estabelecer uma “internacional nacionalista” sob os auspícios do Movimento de Bannon, essa sincronia não deve ser tomada como acidental. Ele tem toda a aparência de uma estratégia coordenada para canalizar a raiva e o desespero causados ??pelo brutal número humano e econômico da crise em direção a um inimigo racial e ideológico convenientemente identificado no governo chinês. Juntamente com os socialistas autoproclamados, é provável que todos os oponentes sejam difamados como colaboracionistas chineses..O que pode estar reservado é, portanto, algo muito pior do que o direito populista dos anos 2010: um direito extremo, usando todo o arsenal do susto vermelho e do autoritarismo de direita para intimidar os oponentes e defender seus interesses das demandas por redistribuição econômica significativa. Embora tenha sido confundida por esta crise, a direita populista não foi suprimida. Está apenas mudando4”.

Frente a tudo isso, chegamos as seguintes constatações: o capitalismo fracassou, mas, não deverá sucumbir após essa crise. Para desespero de muitos a verdade de Marx vem à tona: "a riqueza é produzida pela classe trabalhadora” e “o capitalismo não existe sem o Estado". Ficou claro, também, que somente um Estado forte, soberano e socialista poderá salvar ou ao menos amenizar o sofrimento da humanidade, porém, para que isso ocorra, há uma imperiosa necessidade de que as esquerdas e as forças populares e progressistas do mundo se alinhem e se antecipem a esse movimento da direita populista pós-crise, aniquilando-a ou inibindo-a de qualquer tentativa de retrocesso político e econômico, caso contrário, viveremos um segundo caos, tão o mais danoso e perverso para classe trabalhadora e para a sociedade quanto o COVID-19.


















































































































































































































1 Fonte: Revista “A Verdade” – Edição 101
2 Fonte: Revista “A Verdade” – Edição 101
3 Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232003000400002
4 Fonte: https://www.theguardian.com/commentisfree/2020/apr/01/populist-right-coronavirus



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