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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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A impressão de ser movido a crise
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Manda quem pode e pede demissão quem não concorda


A cada declaração palaciana ou postagem nas redes sociais sobre decisões importantes na troca de comando de algumas pastas do novo governo, surgem dúvidas sobre a veracidade por causa das posições seguintes do presidente Mito. Nada a estranhar se as notícias fossem plantadas pela oposição. Afinal, o meio político é fértil em comportamentos dessa natureza. O problema é que as crises são geradas no núcleo que comanda o país, notadamente pelo próprio ocupante do cargo máximo, que nada esclarece sobre as informações gerando mais dúvidas.
Quem não viu o desconforto que causou a permanência ou exoneração do ex-ministro da Saúde em meio a uma situação delicada pela ameaça da pandemia? O Mito dava a impressão de fritar o seu colaborador forçando-o a pedir demissão do cargo. Precisava dizer que o presidente da República é ele? Adiantava elogiar o trabalho do seu ministro e declarar que alguém estava querendo ser estrela? Se o desgaste político é benéfico para a atual gestão federal, na visão de Jair Bolsonaro, o clima desfavorável entre ele e os demais Poderes mostra o contrário. Mas...
Infelizmente o caminho escolhido pelo novo governo é o do confronto direto, da troca de farpas com o Judiciário e o Legislativo, do choque frontal de posições irredutíveis sem tréguas com quem discorda e questiona, da guerra declarada contra os milhões de inimigos que querem derrubá-lo. Será que o passado atlético do nosso presidente conseguirá manter uma resistência física e emocional para tantos combates? Ou a carga da caneta Compactor e a munição do fuzil empunhado contra os adversários são insuficientes nesta guerra? Super-Homem não existe!
Mas a poeira não precisa baixar para que novos inimigos ou fogo amigo sejam enfrentados nessa luta incessante. A bola da vez é o superministro Sergio Moro, o ex-juiz herói da Operação Lava Jato, alçado ao importante cargo para dar prosseguimento no combate à corrupção. Surgiram notícias que o presidente Bolsonaro vai trocar o atual diretor da Polícia Federal, um subordinado direto do ministro da Justiça. A crise, se proposital novamente, foi gerada e jogou para escanteio a preocupação com a pandemia. Seria uma forma de forçar Moro a pedir demissão do cargo?
O assunto ganhou as manchetes e alimentou a oposição. Uma parte acha que o motivo principal é para impedir as investigações sobre as movimentações financeiras com dinheiro da conhecida “rachadinha” comandada pelo seu filho parlamentar. Fala-se também que seria uma maneira de tirar o Moro da corrida presidencial de 2022. Mas alguns maldosos – têm vários contra o atual presidente da República – vão além e dizem que isso é uma jogada para matar os dois coelhos numa só cajadada. Afinal, por ser um Mito sua habilidade política está acima de todos.
Para quem gosta de mais lenha na fogueira, o fornecimento do combustível veio do próprio ministro Sergio Moro, na manhã da última sexta-feira. Numa declaração ao vivo na Rede CNN, ele falou por longos minutos sobre a sua carreira no serviço público, tendo como ponto alto o combate à corrupção, mas o foco era a divergência entre ele e o presidente Bolsonaro. O pano de fundo era a exoneração do diretor geral da Polícia Federal, sem o consentimento dele. Deixou claro que estava saindo do governo porque seu chefe não o queria mais na equipe. Agradou ou desagradou?
Como não poderia deixar de ser, o Mito deu uma reposta, também ao vivo, mas ficou a dúvida sobre quem está faltando com a verdade. Muitos acharam as declarações de ambos inadequadas pela importância deles na condução do país. Só o tempo mostrará quem tinha razão, mas isso é assunto para muitos capítulos que virão. Essa roupa suja deveria ser lavada publicamente? Alguns entenderam como um bate-boca inadequado. Ou é bom ver o circo pegar fogo? Talvez o fato mostre que o Poder e a Justiça não se bicam, mas o dono da caneta é o Mito.


J R Ichihara
25/04/2020

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