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ALESSANDRA LELES ROCHA
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A inexatidão numérica e suas “oportunas” imprecisões
Por: ALESSANDRA LELES ROCHA



Ah, se eu fosse menos realista! Nessa onda de alterar números, de apagar outros, tudo para fugir da realidade, certamente encontraria muitos, os quais não gostaria, também, de evidenciar. O tamanho do salário mínimo. O dólar nas alturas. O percentual de desemprego no país, antes mesmo do COVID-19. O ranço colonialista sob a luz da cronificação das desigualdades sociais. Enfim...
Mas, a força do realismo me impede. E quer saber? Isso é bom. Porque apagar a vida como ela é não muda os fatos, não altera o curso natural da história. O desconforto, o incômodo, oriundo dos desalinhos, dos equívocos, das lambanças próprias e alheias não pode ser colocado sob o tapete do constrangimento e de uma eventual pitada de vergonha. É preciso que fiquem onde estão para cutucar, para mexer com os brios, para enrubescer o espírito.
O simples fato de quererem invisibilizar isso ou aquilo é porque reconhecem os problemas, ainda que não admitam. Quando tudo vai muito bem, a iniciativa mais natural é propagandear aos quatro cantos os sucessos. Mas, quando vai mal... Encobrir parece sempre o caminho mais fácil e curto; como se fosse possível.
De fato, fazer o certo dá trabalho. Mas, sejamos honestos: tanto quanto não fazê-lo. No fim das contas, ação e resultado são meras consequências de perspectiva e valores. Vai do senso e dos princípios éticos e morais de cada um. Por isso, o mundo vai caminhando a passos curtos e lentos nesse sentido. Parece que a força por permanecer estático sempre vence.
Aí, quando a situação aperta e a sujeira transborda os limites do tapete há de se tomar alguma providência. No entanto, nunca é o que deveria ser. Infelizmente o país vive de remendos, de placebos, de “tapa-buracos” e coisas do gênero, para omitir a sua total falta de disposição em resolver efetivamente as demandas.
Portanto, o problema, caro (a) leitor (a), não são os números; mas, o que se pode decodificar a partir deles. Desmatamentos, Queimadas, Censo Demográfico, Violência, Mortes, Doenças,... são questões de ordem pública a serem priorizadas, discutidas e enfrentadas no âmbito das ações e dos investimentos. Se as escolhas foram outras, se as decisões tomadas foram na contramão disso, nenhuma delas deixou de existir e desenvolver os seus desdobramentos nefastos, enquanto aguardam por um sinal de atenção e de responsabilidade.
De certo modo a gravidade dos fatos ultrapassa o poder de retenção do papel ao que está escrito, pois o conduz ao senso crítico da retina. O que vemos, o que sentimos, o que vivenciamos é muito mais impactante do que quaisquer estatísticas, porque é facilmente compreendido na esfera da realidade. E ninguém vive de e na ilusão.
Os pobres mortais não necessitam de números para saber exatamente em que lugar lhes aperta os sapatos. Quaisquer sub ou super notificação fica visível. O que desaparece, então, grita ainda mais alto. Simples assim. Talvez, porque tudo esteja muito além das fronteiras de uma ignorância, de uma ingenuidade, de uma credulidade que tentam insistir em computar para atenuar os efeitos do seu descompromisso com a omissão, a inverdade, a fraude.
Por trás de cada mazela há uma verdade tão intensa que, mesmo se fingindo de desentendido, é impossível negar. Os números assim como as palavras podem mentir trair ludibriar; mas, os fatos jamais. A linguagem não verbal comunica sem rodeios, sem artifícios. Ela chega pela percepção, pelos sentidos humanos mais apurados por uma verdade seca, nua, crua de retoques. Afinal de contas, “Não se pode fugir a um infinito, disse comigo, fugindo em direção a outro infinito; não se foge da revelação do idêntico, na ilusão que se pode encontrar o diverso” (Humberto Eco – O Pêndulo de Foucault).
Sendo assim, não é à toa que as máscaras, ainda que demorem, um dia caem. Que as retóricas se esgarçam, se esfacelam. Que as verdades se auto desconstroem. ... Que o mundo gira em torno de si e do Sol. Sem que nada disso precise necessariamente de uma só palavra, de um só número, para nos fazer entender. Como tudo isso é interessante; no fundo, aquilo que não vemos é o que nos move rumo às transformações infinitas, a lugares nunca antes visitados; mas, particularmente, ao recanto mais escondido da verdade.

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