A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

ALESSANDRA LELES ROCHA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Jornalismo
 
Que mico!
Por: ALESSANDRA LELES ROCHA



Que mico! (E nem é força de expressão!) Poderia ter sido apenas mais um uso equivocado e inadvertido de imagem na internet; mas, a questão muda a perspectiva quando se trata de aval governamental. A queda de braços que se estabelece entre o governo brasileiro e organismos nacionais e internacionais de defesa ambiental ganhou mais um capítulo, no mínimo, constrangedor.
A divulgação de um vídeo promovido por uma entidade ruralista em contestação as inúmeras e recentes informações sobre incêndios na Floresta Amazônica, trouxe a imagem de um Mico-Leão-Dourado (Leontopithecus rosalia) para contextualizar a biodiversidade amazônica. No entanto, a espécie em questão compõe a fauna da Mata Atlântica, outro bioma nacional.
Extrapolando os limites da gafe, a questão ganhou repercussão imediata pela replicação do vídeo por parte do governo federal, através de seu Ministro de Meio Ambiente e de seu Vice-Presidente da República. Na permanência em negar o óbvio das queimadas que transcendem a Amazônia brasileira e tomam, também, o Pantanal e o Cerrado, as autoridades brasileiras não perceberam sua reafirmação quanto ao visível desconhecimento acerca dos biomas nacionais.
Bom, negar os incêndios é o mesmo que admiti-los; pois, só se nega uma coisa que existe. Mas, mesmo assim, o próprio governo brasileiro defende a ideia de que a Amazônia, ao contrário do Cerrado e do Pantanal vulneráveis a ocorrência de queimadas por conta da sua própria condição biológica, é úmida demais para entrar em combustão.
No entanto, satélites ao redor do planeta, inclusive da NASA, não se cansam de apresentar imagens dos referidos biomas em chamas e suas nuvens de fumaça espessa. O que no caso da Amazônia, então, faz crer que as queimadas não seriam naturais e espontâneas; mas, consequência da ação antrópica no local. Na verdade, o que causa profunda estranheza é a quantidade de registros desde o ano passado que fazem descartar a possibilidade de fenômenos naturais de queimada no país. A velocidade e a intensidade com que os focos se espalham em áreas diversas do território foge a capacidade de execução da própria natureza.
E muito além de exaurir e empobrecer os solos desses locais, os prejuízos da ordem da fauna e da flora podem ser irrecuperáveis para milhares de espécies, o que certamente repercutirá em um desequilíbrio cada vez mais sistemático, podendo inclusive afetar as áreas de produção agrícola e pastagem, presentes nesses locais. Isso porque o desequilíbrio ecológico rompe as cadeias naturais e obriga as espécies a buscar novas fontes de água, de abrigo e de alimento, o que tende a aproximá-las dos cinturões agrícolas e das áreas periurbanizadas.
De modo que há, também, uma aproximação de doenças cujos reservatórios biológicos estavam restritos as áreas de mata preservadas. Algumas conhecidas, tais como a Malária, a Febre Amarela, a Leishmaniose. Outras a se conhecer e pesquisar; portanto, um enigma de relevante impacto socioeconômico. Haja vista a recente experiência com o COVID-19, que se espalhou feito rastilho de pólvora pelo mundo e chegou até aqui.
Daí o risco que temos em desqualificar os fatos. A verdade é o que é. Informações descabidas, distorcidas ou inverídicas não a mudam e, nem tampouco, aos desdobramentos que advém dela. Mas, afetam diretamente o tempo de resposta e, por consequência, de resolução ou mitigação de problemas. Porque o tempo não para e não há como fazê-lo responder de maneira diferente, apenas por uma vontade narcísica incontrolável.
No fim das contas, o mico teve 15 minutos de fama. Ninguém melhor do que um Mico-Leão-Dourado (Leontopithecus rosalia) para falar de Meio Ambiente, não é mesmo? Olha que ele nem tem um Oscar, nem visitou o Xingu; mas, juntamente com a Araraju, a Arara-Azul, a Ariranha, a Baleia-Franco-Do-Sul, o Cervo do Pantanal, o Gato-Macarajá, o Lobo-Guará, o Macaco-Aranha, a Onça-Pintada e o Tamanduá-Bandeira, que engrossam as listas dos animais ameaçados de desaparecer do planeta, sabe como ninguém despertar a atenção de todos sobre a dimensão que alcança a negligência e o descaso humano com a Natureza. Se bobear, com seu carisma e simpatia, ele acabará em breve substuindo o Leão da Metro!

 Comente este texto
 Paralerepensar


Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: WHFQ (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.