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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Tanto faz ser no palanquinho do Alvorada ou na ONU?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Mito se comporta igual em qualquer lugar do mundo


O discurso do presidente Jair Bolsonaro na abertura da 75ª Assembleia Geral da ONU na última terça-feira deu o que falar. À parte os fãs incondicionais que adoraram, a maioria no Brasil e no mundo se sentiu ofendida com tanta inverdade que ele falou. Afirmou que os incêndios na Amazônia e no pantanal são ações dos índios e caboclos, que deu todo o apoio no combate à pandemia, assim como pagou US$ 1 mil de auxílio-ajuda para 65 milhões de pessoas e pediu o fim da cristofobia. Sentiu-se à vontade como no palanquinho montado no Alvorada. É um Mito?
Qualquer cidadão apolítico e com um mínimo de consciência sabe que ele não tem base confiável de dados para sustentar tanta utopia. Talvez ele ignore que os países desenvolvidos têm recursos técnicos para monitorar tudo que acontece no mundo ambiental. Pouco adiante ele demitir os responsáveis por informar os dados oficiais sobre desmatamentos e queimadas no Brasil porque os satélites monitoram e mapeiam todos os focos no nosso território. Bater palmas para tanto absurdo é fanatismo que beira a falta de senso crítico e vergonha – melhor cair na real.
Mas a turma dos defensores ardorosos apelou até para a aritmética para justificar os mil dólares que ele disse ter liberado. Veja o ponto que chegamos! Como se ninguém soubesse que se dependesse dele e do ministro Paulo Guedes, o seu Posto Ipiranga, o valor do auxílio-ajuda seria de míseros R$ 200,00. Não fosse a oposição brigar pelos R$ 600,00, os coitados receberiam cerca de US$ 40. O enigma é saber o porquê de ele fazer declarações que podem ser facilmente desmentidas. Adianta ser grosseiro nos questionamentos quando há provas incontestáveis?
Infelizmente a verdade não depende de crença religiosa ou ideologia política. No livro 21 lições para o século 21, o autor do best-seller Homo Sapiens, o historiador israelense Yuval Noah Harari, nos leva a uma reflexão sobre as influências que sofremos por causa da religião, política, ciência e tecnologia citando como isso marcou o comportamento das pessoas ao longo dos séculos. Em certo trecho ele mostra como o poder não faz questão de expor a verdade. Mas seu grande alerta é que não contamos com uma comunidade global para as questões mundiais.
As opiniões sobre as consequências das declarações do presidente Bolsonaro na ONU, como não poderia deixar de ser, geraram polêmicas entre os especialistas nos meios de comunicação. Houve quem elogiasse totalmente o discurso, assim como alguns acharam uma vergonha por causa das mentiras que ele falou perante o mundo. Alguém poderia imaginar com quais objetivos ele falou dos benefícios que a sua gestão providenciou, facilmente desmentidos com uma simples consulta aos bancos de dados oficiais? Ninguém merece mais algum respeito?
No ambiente doméstico a briga pelo poder mostra as unhas. Ganhou destaque o pedido de impeachment do governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel, um ex-aliado do presidente Bolsonaro, pelo placar de 69 a zero, na Assembleia Legislativa do Estado. Irônico que ele era um dos baluartes do combate à corrupção, mas foi denunciado por envolvimento num esquema com o secretário de saúde do estado. Seu passado de ex-magistrado, ex-militar e religioso atuante não o livrou das tentações que o poder cerca as pessoas? Ou o Mito quer eliminar os adversários?
Uma curiosidade é que ao mesmo tempo em que as críticas sobre o pronunciamento do presidente Bolsonaro na ONU inundam as redes sociais e outros meios de comunicação, algumas postagens divulgam que a aprovação do seu governo subiu. As informações não citam as fontes, mas o efeito psicológico rende ótimos dividendos para quem está com a credibilidade e a aceitação muito próxima do chão. O não comparecimento do senador Flávio, um dos filhos dele, para a acareação com o empresário Paulo Marinho foi apenas mais detalhe sem importância. Então...


J R Ichihara
24/09/2020

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