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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Negar os fatos muda alguma coisa?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quando a verdade desmascara os imaculados

No último 31 de março, o novo ministro da Defesa, general Braga Neto, enalteceu o aniversário dos 57 anos da Ditadura Militar, agora rebatizada de “Revolução”. Para os críticos e defensores da Democracia, tudo não passou de um golpe civil-militar, sob a alegação que o país vivia uma ameaça de optar pelo socialismo. Nesta época, o mundo era bipolarizado entre os regimes capitalista e socialista. Aquele representado pelos Estados Unidos e este liderado pela União Soviética. O arsenal bélico era o aquecedor da chamada Guerra Fria entre essas ideologias.
Por ser o país mais influente da América do Sul, uma espécie de fiel da balança no continente, fala-se de um temor da adesão do Brasil ao regime soviético. Talvez as ideias progressistas do presidente da época, João Goulart, tenham contribuído para mobilizar o Tio Sam. Daí surgir hipóteses e comentários de que houve o dedo norte-americano, assim como de algumas empresas privadas multinacionais, no golpe militar de 1964. As poucas publicações confiáveis que chegaram ao conhecimento público sinalizam isso. Como saber onde está a fonte da verdade?
Aos que admiram o desempenho do Regime Militar no Brasil, sem analisar com imparcialidade os métodos empregados, é bom ouvirem os que foram perseguidos, torturados e tiveram os parentes desaparecidos neste período. Da mesma forma que a análise sobre a situação econômica, o “arrocho salarial”, a forte estatização tão criticada atualmente, a dívida externa e o baixo investimento na educação, precisam de um olhar sem o viés ideológico. Como afirmar que não havia corrupção se as investigações eram proibidas? Auditaram a obra da Transamazônica?
Lógico que muitos justificam o apoio à Ditadura Militar sob a alegação que muitos programas sociais foram implantados. Mas havia a necessidade de impor um regime ditatorial para beneficiar o povo? Com tanta carta branca, mordaças na imprensa, no Legislativo e no Judiciário... Por que continuamos subdesenvolvidos, convivendo com uma inflação massacrante e nos tornando um dos maiores devedores do mundo? Quantas obras faraônicas daquela época passariam pelo crivo do TCU? Cala-boca geral dá nisso! Dá para afirmar que não havia corrupção?
Quantos seriam contra um governo, civil ou militar, que administrasse visando o bem de todos, sem discriminação aos que questionam a aplicação dos recursos púbicos? Como ser contra uma gestão que prioriza a educação, a saúde, a segurança coletiva e o direito de expressar suas opiniões? Por que fazer tudo para impedir o líder que busca melhorar a competitividade da população, oferecendo condições de acesso às tecnologias de ponta a todos, independentemente da classe social? Isso é o sonho de consumo dos que lutam pela redução das desigualdades.
Virou moda cobrar uma autocrítica dos ex-gestores de cargos públicos do Executivo no Brasil. Alguém já ouviu um membro do Alto Comando Militar reconhecer que houve exageros durante o tempo que governaram o Brasil? Pelo contrário, a maioria afirma, orgulhosamente, que impediu o país de virar um desastroso socialismo. Outros justificam os meios empregados porque se tratava de subversivos e mereciam o que receberam – matá-los seria melhor que torturá-los! Por que não se pode exigir um pedido de desculpas e aplicar as punições? Isto aqui é o Brasil.
Como passar o país a limpo sobre uma época insegura e aterrorizante? Dizer que neste tempo as pessoas viviam sem medo de andar nas ruas é de uma inocência sem limites. Obedecer por causa do medo não significa que a Segurança Pública é eficiente. Será que a proteção nos morros, que o narcotráfico dá aos seus colaboradores, é um método legal? Ou a atuação do “Esquadrão da Morte”, uma milícia dos anos 1970, no Rio de Janeiro, que eliminava bandidos do submundo do crime, transmitia segurança à população? Impor a obediência assim é perigoso!
Mas nem todas as empresas multinacionais que colaboraram com o golpe civil-militar mantiveram segredo, apesar da enorme desconfiança que isso aconteceu. A Volkswagen, a automobilística alemã que atuava no Brasil no período, admitiu que delatou os seus funcionários que eram contra a Ditadura. Um deles cita que sofreu espancamentos, nas dependências da empresa, antes de ser entregue aos órgãos especialistas em torturas e repressão, criados pelos ditadores. Por que ocultar uma página tão vergonhosa da nossa História? O povo quer saber!

J R Ichihara
06/04/2021

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