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Jornalismo
 
HIDROXICLOROQUINA salva
Por: Francisco Amado



Como iniciou a proposta da hidroxicloroquina como tratamento da doença

Em 17 de março de 2020, um estudo promissor sobre um tratamento para a COVID-19 foi publicado. A origem era o IHU-Mediterranée Infection, um hospital Universitário em Marselha, no sul da França. O principal cientista deste estudo era o professor Didier Raoult, diretor desse centro pesquisa considerado de excelência.

De acordo com o site Expertscape, Didier Raoult não é um cientista qualquer. Ele é um dos maiores especialistas do mundo em doenças transmissíveis. Este site faz estatísticas, por especialidades, da produção científica mundial.



Raoult possui a imensidão de quase 3 mil artigos científicos publicados na Pubmed. Definitivamente, ele não é um maluco fazendo alegações fantásticas, como alguns sugerem.

Além disso, a idéia de usar a hidroxicloroquina como base para o tratamento da COVID-19 não surgiu do nada. Foi uma construção em conjunto. Em 2005, já havia um estudo norteamericano especulando sobre o potencial deste medicamento, tanto para tratar a doença manifestada por vírus, como para profilaxia.

Este estudo de 2005 era sobre o irmão mais velho da pandemia atual, o SARS-Cov1, uma doença também respiratória, também por coronavírus e também iniciada na China, ocorrida em 2003, mas que não se espalhou pelo mundo e teve poucas mortes.

O estudo de Didier Raoult e equipe se baseou em relatos de que na China, no começo do ano, estavam usando este medicamento para tratar a COVID-19 com relativo sucesso.

Neste contexto, quando a pandemia já atingia a França, o IHU-Marselha iniciou um teste clínico, com poucos pacientes, em dois braços. No primeiro grupo, ministraram apenas HCQ, como na sugestão da China, e no outro, uma dupla de medicamentos: a HCQ e a Azitromicina (AZ), um antibiótico.

A aplicação dos dois medicamentos em conjunto foi a grande descoberta da equipe de Raoult. Os seis pacientes que receberam a dupla terapia, e logo no início dos sintomas, tiveram uma recuperação muito rápida, com resultados superiores à hidroxicloroquina sozinha. Em apenas cinco dias, todos os seis já haviam se livrado do vírus, informava o artigo.

Tanto a hidroxicloroquina como a azitromicina são medicamentos antigos, baratos, fabricados em todos os lugares e sem patentes. Uma terapia com esses dois medicamentos custa aproximadamente 5 dólares por paciente.

A hidroxicloroquina, que é a base do tratamento, é bastante conhecida e muito segura. Possui 65 anos de idade e foi usada originalmente para combater a malária. Com o passar do tempo, descobriram que era útil tanto para Lupus como para artrite reumatoide, os usos mais comuns. Há estudos, inclusive, sobre o uso deste medicamento para combater a AIDS, com resultados considerados interessantes mas não definitivos.

Logo no início de abril, um médico de uma pequena cidade próxima a Nova York anunciou já estar tratando pacientes com esse protocolo. Dr Vladimir Zelenko, além da hidroxicloroquina e azitromicina, incluiu zinco no cocktail.

Zelenko, mesmo apenas sendo um simples médico e não um cientista com um longo histórico de pesquisas, aparentemente fez uma grande descoberta. Todas as informações sugerem, hoje, que a inclusão do zinco foi uma evolução importante. Estudos recentes já vinculam a deficiência de zinco com a gravidade da doença.

No início de abril, Zelenko já anunciava ter tratado cerca de 200 pacientes, a maioria deles idosos, entre outros pacientes de grupos de risco. Ele relatava que não teve nenhuma morte. Algo bastante animador.



Antes de iniciarem os testes clínicos randomizados para atestar ou não o funcionamento da hidroxicloroquina, Raoult e Zelenko foram atacados impiedosamente




Foram investigar a vida de Didier Raoult em detalhes. A matéria que mais viralizou foi a de um site com um nome imponente: “For Better Science”. É de propriedade do alemão Leonid Schneider. A primeira saiu alguns dias depois, em 26 de março. No total, sobre Raoult, foram cinco artigos. “Médico bruxo” era um dos títulos. “Louco e perigoso”, concluiu Leonid.

O dossiê sobre a vida do cientista chegou a abordar acusações de bullying e de que ele havia acobertado casos de assédio sexual ocorridos em seu instituto. “Fim da partida?”, perguntou um dos textos sobre Raoult.

Leonid também abordou alguns casos preocupantes, como falsificações ocorridas em trabalhos do IHU-Marselha. Encontraram pelo menos cinco trabalhos com imagens de microsocópio alteradas no photoshop.

A informação de que Raoul já produziu quase três mil artigos, e que isso seria estatisticamente irrelevante, Leonid omitiu.

Fui acompanhar o que dizia Raoult: ele explicou que um dos alunos alterou essas imagens e que isso passou despercebido em toda a equipe.

Logo o artigo seguiu em outra direção, mais burocrática. Acusaram Raoult de ser amigo do Editor da revista onde o estudo preliminar foi publicado. Essa discussão evidenciou o que considero hoje um fetiche entre cientistas com publicações e com o "fator de impacto” dos jornais científicos.

Eu li com atenção o artigo de Leonid Schneider. O que prometia ser uma reportagem bombástica, criou bastante expectativa durante desenvolvimento do texto, mas não tinha a informação sobre o que eu realmente queria: e afinal, os seis pacientes foram curados em cinco dias ou não? Ele não respondeu.

“Cura milagrosa” foi o jeito que o New York Times se referiu a Raoult. Todas essas matérias serviram para assassinar a reputação do cientista, mas não são nada importantes quando comparadas às ameaças de morte que Didier passou a receber logo depois de propor o tratamento com dois medicamentos genéricos e baratos.

Nos EUA, o principal porta voz do tratamento passou a ser o Dr Vladimir Zelenko. Ele publicou vídeos no Youtube falando que tratou pacientes com as medicações. Afirmou que obteve bons resultados e que a imensa maioria dos pacientes melhorava rapidamente.

O Youtube apagou seus vídeos por serem “desinformação”. Há uma regra imposta: apenas pode-se dizer que o medicamento funciona nas redes sociais, no sites de ciência e nos grandes jornais, se houver um estudo RCT (Randomized controlled trial) com resultado positivo.

Logo fizeram uma reportagem sobre Zelenko no New York Times. Colaram nele o mesmo selo de “cura milagrosa” que colaram em Raoult. O jornal criou uma teoria de conspiração: a motivação de Zelenko para afirmar que o medicamento funcionava só poderia ser política, afinal, Trump era entusiasta deste tratamento. Zelenko virou uma “estrela da direita”, escreveram os jornalistas do Times.

A reportagem era um perfil detalhado de Zelenko. Explicou que ele não simpatizava com Hillary Clinton, que vivia no interior, que se recuperava de um câncer, mas não investigou a única coisa que realmente interessava: e afinal, os pacientes dele, morreram ou não morreram?

Porque se ele tratou 200 pacientes de alto risco e não morreu ninguém, já seria a comprovação científica do funcionamento.

Simples assim. É a regra mais básica da ciência: a reprodução.

É simples mesmo. A doença tem um começo, meio e fim rápido. Em cerca de 15 dias depois de apresentar os sintomas, sem nenhum medicamento efetivo, uma porcentagem entre 3 e 6% dos pacientes sintomáticos precisam ser entubados para continuarem vivos.

Nesta expectativa, era para terem morrido pelo menos seis pacientes. Qualquer número abaixo disso, em uma distribuição normal da sociedade norteamericana, significa que o medicamento funciona.

Os quatro tipos possíveis de uso da hidroxicloroquina contra a COVID-19
Existem quatro possíveis usos do hidroxicloroquina. O que Raoult propôs foi o tratamento precoce. Ou seja, o início do tratamento nos primeiros dias de sintoma, antes da doença se agravar. É o uso mais óbvio. Em todas as doenças os médicos recomendam iniciar os tratamentos o mais cedo possível.

Além disso, existem mais outras possibilidades. A primeira é a profilaxia pré-exposição: é quando os pacientes tomam a medicação antes de ter contato com o vírus.

A segunda é a profilaxia pós-exposição, que é quando o paciente toma a medicação logo após ter contato com alguém infectado, e a terceira possibilidade é o tratamento já com a doença avançada, grave, em pacientes já hospitalizados, necessitando de oxigênio ou intubados.

Na ciência da vida real, estudos observacionais de tratamento com hidroxicloroquina em tratamento precoce trazem resultados espetaculares
Existem diversos estudos observacionais, além dos feitos no IHU-Marselha, de tratamento com o protocolo de HCQ + AZ nos primeiros dias de sintoma.

Alguns são apenas de hidroxicloroquina e alguns com outras combinações de medicamentos. Aqui trago alguns que deixaram bem claro em seus estudos que se tratava de tratamento precoce.

Linha do tempo dos estudos observacionais em tratamento precoce:

22 de maio
Casas de repouso em Nova York, EUA
Em vez da combinação hidroxicloroquina e azitromicina, o segundo medicamento era a doxicilina. O estudo liderado por Imtiaz Ahmad foi feito com 54 pacientes de alto risco em três casas de repouso em Nova York. Apenas 11% dos pacientes foram transferidos para hospitais e apenas 6% morreram.

A comparação foi com outra casa de repouso. Em King County, Washington, onde não houve tratamento, 57% dos pacientes foram hospitalizados e 22% morreram. “Uma diminuição da transferência para o hospital e a uma diminuição da mortalidade foram observados após o tratamento”, afirmaram os cientistas.

É uma diferença grande, como podemos dizer que não funciona?

31 de maio
Clínicas particulares na França
Em estudo feito por Violaine Guérin e equipe acompanhou o resultado de 88 pacientes. A combinação hidroxicloroquina e azitromicina reduziu as mortes em 43% e o tempo de recuperação em 65%, comparados ao grupo controle.

25 de junho
IHU-Mediterranée Infection, Marselha, França.
O instituto onde Didier Raoult é professor publicou seu estudo "final", mais sólido, com 3737 pacientes. Antes eles já haviam publicado duas prévias, com 80 e com 1000 pacientes.

Do total, 3,119 receberam a combinação de medicamentos. A taxa de mortalidade foi de 0,5%. O resultado mais impressionante é que nenhuma pessoa com menos de 60 anos de idade morreu, e boa parte do total possuía comorbidades anteriores: 7,5% tinha diabetes, 13,1% hipertensão e 11,1% era obeso.

As pessoas podem fazer as críticas que desejarem a esse estudo observacional, mas um fato é imutável: ninguém com menos de 60 anos morreu. Isso é um dado impressionante.

Para comparação, na região de Ile-de France, onde fica Paris, não foram usados os medicamentos. Lá, abaixo de 60 anos, as mortes foram pouco mais que 9,7% entre as fatalidades. Em outra região da França, a Grand-Est, 4,3% das mortes representavam a população menor que 60 anos.

Em outro hospital público em Marselha, cerca de 2,5% dos contaminados morreram. Entre os pacientes que bateram na porta do IHU-Mediteranée Infection foram 0,5% de mortos.

É uma diferença brutal. Como não funciona?

13 de agosto
Arábia Saudita
Feito pela equipe de Tarek Sulaiman, do King Fahad Medical City, em Riyadh, na Saudi Arabia, o estudo envolveu 7.892 pacientes atendidos em 238 clínicas em todo o país. 3.320 pacientes receberam a hidroxicloroquina. A comparação foi com 4.572 que não tiveram a medicação.

Envolviam pacientes apenas com exame positivo. Entre os que tomaram a medicação, mais 70% na redução da mortalidade. “A intervenção precoce com terapia baseada no HCQ em pacientes com sintomas leves a moderados na apresentação está associada a resultados clínicos adversos mais baixos entre os pacientes da COVID-19, incluindo admissões hospitalares, admissão na UTI e morte”, concluíram os cientistas.

21 de agosto
Casas de repouso em Marselha, França
Feito pelo Dr Tran Duc Anh Ly e equipe, o estudo envolvia pacientes com uma idade média de 83 anos. Foram 226 residentes infectados, 116 tratados com hidroxicloroquina e azitromicina. 53,5% menos mortes entre os que tomaram as medicações.

25 de agosto
Hackensack University, EUA
Estudo de Andrew Ip, da Universidade de Hackensack, em Nova York, envolvia 1,274 pacientes. Era apenas com hidroxicloroquina, sem a azitromicina, onde 97 tomaram a medicação. A comparação foi com 1177 pacientes que não tomaram. O tratamento precoce foi associado a uma redução de 47% no risco de hospitalização, concluíram os cientistas.

2 de setembro
Casas de repouso em Andorra, Europa
Coordenado pela Dra. Eva Heras, o estudo ocorreu apenas entre idosos. Envolveu 100 pacientes e a idade média era de 85 anos. Entre os pacientes que receberam HCQ e Azitromicina, 11,4% morreu. Entre os que não receberam os medicamentos, 61% morreu.

31 de outubro
Estudo do Dr Vladimir Zelenko, dos EUA.
Ele se juntou com Roland Derwand e Martin Scholz, dois pesquisadores alemães, para produzir um estudo e publicá-lo. É sobre seus pacientes atendidos próximo a Nova York.

Além da adição do zinco, há uma diferença entre seu protocolo. Zelenko não tratava pacientes que não fossem do grupo de risco. Ou seja, os medicamentos eram prescritos apenas para quem tinha mais de 60 anos de idade ou, se com menos de 60, com pelo menos alguma comorbidade.

Incluídos no estudo estavam 144 pacientes com idade média de 58 anos. Como grupo controle, 377 outros pacientes da mesma comunidade. Entre os que receberam a medicação, apenas um morto (0,7%), entre os que não receberam, 13 mortos (3,5%).

Como não funciona?

31 de outubro
Operadora de Saúde Hapvida, Brasil
A operadora Hapvida é uma das maiores do Brasil. Possui milhões de clientes. O estudo envolveu 717 pacientes ambulatoriais positivos para SARS-CoV-2. Todos com 40 anos ou mais. Foi feito por pesquisadores brasileiros da Hapvida, da Universidade Federal de Fortaleza e o professor Harvey Risch, de Yale. Entre os que não tomaram hidroxicloroquina, 3,3% de mortes. Entre os que tomaram a medicação, e em boa parte deles em conjunto com a azitromicina, 0,6% de mortes. "Este trabalho adiciona à crescente literatura de estudos que encontraram benefícios substanciais para o uso de HCQ combinado com outros agentes no tratamento ambulatorial precoce de COVID-19", concluíram os cientistas.

Hoje, no dia que escrevo, 2 de dezembro, são 23 estudos em tratamento precoce com hidroxicloroquina. Todos, sem exceção, com resultados positivos para os pacientes.

E a ciência confirma que é, sim, conversa de quem precisa de camisa de força


Hoje, no dia que faço essa postagem 06/04/ existe 233 estudos 204 revisados por pares 231 comparando o tratamento por grupos. Quer saber onde faça um comentario que te envio o link

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