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ALESSANDRA LELES ROCHA
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Amarelaço Futebol Clube
Por: ALESSANDRA LELES ROCHA



Já diz o provérbio, “pior a emenda que o soneto”. Então, não foi a decisão da Seleção Brasileira Masculina de Futebol que frustra; mas, os argumentos. De certo modo, não me surpreende vê-los retroceder em seu posicionamento de não participar da Copa América; visto que, o mundo da bola nunca orbitou a mesma galáxia que o mundo real.
Ressalvadas raríssimas exceções, a verdade é que, durante a Pandemia, quantos não foram os exemplos, ilustrados por estrelas do futebol, de festas, aglomerações e afins. A contemporaneidade também absorve essas personalidades, na medida em que os torna reféns da mídia, do glamour, da ostentação, da mercantilização de suas imagens; de modo que lhes falta tempo e, quem sabe, disposição, para olhar a vida com olhos mais cidadãos de seu país e menos do planeta.
O amarelaço de hoje, não pode ser justificado com a falta de adesão das outras equipes ou pela solução paliativa, em afastar temporariamente, 30 dias, o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), para apuração de denúncias graves contra ele. Não, não pode. Simplesmente, porque as razões que sustentam a não realização do referido evento futebolístico são de ordem sanitária, em virtude de um recrudescimento da Pandemia no país.
A justificativa, por si só, então, se subscreve nas mais de 470 mil vidas perdidas, e a se perder, pelo não arrefecimento da COVID-19. Sem contar, todos aqueles que lutam nos leitos de enfermaria e UTI para saírem vivos desse horror; bem como, aqueles que tentam retomar suas rotinas apesar das sequelas deixadas pela doença. Seria por esses brasileiros, a razão maior para o gesto de dizer “não” ao evento, o qual vem sendo contestado, desde o seu anúncio, por todas as maiores autoridades de saúde e ciência, dentro e fora do território nacional. Não é à toa que outros países abdicaram de sediá-lo.
Aliás, a existência de campeonatos em curso, também, não representa fundamento robusto para defender a ideia; pois, deveriam estar suspensos da mesma maneira. Quantas equipes têm visto jogadores e comissões técnicas se infectarem e se afastarem dos torneios, em razão do Sars-Cov-2. Até mesmo os Jogos Olímpicos, a serem sediados no Japão, no mês de julho, apesar de todo o aparato de investimentos e planejamentos contra as investidas da Pandemia, sofre com forte apelo para não ocorrer.
Vale a pena repetir que a COVID-19 é uma doença nova e, portanto, as informações sobre ela estão sendo consolidadas gradativamente. Por enquanto, ela é uma imensa incógnita para a população e para a Ciência. Pessoas se infectam e tudo pode acontecer. Assintomáticos. Sintomáticos, leves, moderados, graves e gravíssimos. Com ou sem comorbidades. Alguns sobrevivem, outros não. Alguns apresentam consequências imediatas, outros em médio e em longo prazo. Alguns se encaixam perfeitamente bem dentro das expectativas de eficiência da vacina, outros não. Enfim... E todas essas questões não são passíveis de serem controladas por ninguém.
Nesse jogo da doença contra a humanidade, o vírus está ganhando de 7x1. São 3,73 milhões de mortos em todo o mundo e de um ritmo de vacinação amplamente desigual tanto na aplicação quanto na quantidade de vacinas disponíveis em cada país. O que dá a ele total possibilidade de disseminação e mutação. Quando a partida começa a ficar dura, ele se transforma para aprimorar a tática de sobrevivência. Por isso, se omitir nas estratégias de defesa sanitária é tirar os zagueiros da frente e abrir uma avenida para o vírus fazer um golaço.
Todo mundo sabe que o futebol já foi considerado “o ópio do povo”, curava suas tristezas, suas mazelas, suas indignações, pelo menos naqueles 90 minutos de espetáculo. Mas, os tempos são outros, o “futebol-dependência” não tem mais essa projeção toda. A seleção canarinho não é mais a vitrine que ostentava os talentos nacionais e enlouquecia a atenção e a disputa entre os demais países do mundo. Hoje, os moleques dos campinhos de várzea, da bola de meia, dos pés descalços, sonham com as peneiras dos clubes para serem descobertos e levados para o estrangeiro. Seleção brasileira? Talvez, depois.
Além disso, as Tecnologias da Comunicação e da Informação (TICs) roubaram a cena e trouxeram outros interesses, tomando a dianteira do futebol. Os serviços de streaming oferecem canais de esportes variados, de filmes, de séries, de documentários, de culinária, de entretenimento etc., com uma qualidade de primeira linha. A paixão do torcedor não precisa mais sacrificar os compromissos. Se não deu para ver a partida na hora marcada, ele sabe que tem o recurso de assistir no celular, no tablete, ou depois, no conforto de casa. Isso, não esquecendo, a infinidade de resenhas e debates esportivos para apimentar a discussão. Diante de todas as novidades dentro e fora das quatro linhas, o futebol de hoje se tornou bem menos mágico e inebriante.
Por isso, o amarelaço de hoje foi só mais uma pitada de desbotado. Desbotou o encanto da alegria. Desbotou o entusiasmo do cidadão. Porque a camisa ficou mais pálida, mais triste, mais acanhada. Como se o futebol arte tivesse se rendido a “fazer arte”, travessura com coisa séria. Como se tivesse vestido o uniforme do avesso, por não se preocupar com a imagem a representar. Como se tivesse mudado de nome e fosse agora, tão somente, Amarelaço Futebol Clube.

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