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Jornalismo
 
MILITARES PERDENDO IBOPE
Por: Milton Menezes

Nesses últimos dias colocou-se o exército brasileiro como membro das Forças Armadas num foco negativo e até as pesquisas de opinião demonstram que a confiança da população para com o meio militar decaiu, perdendo ibope.
Na verdade esta queda de conceito já estava começando a acontecer tão logo o eleitorado (como se diz: errare humanum est) colocou no Planalto um sujeito que fora exonerado do exército por insubordinação, e agora glorifica o exército como se fosse seu brinquedo particular, "meu exército". O Protestante, apoiado por uma camada menos provida de capacidade educacional e mais tendida ao liberalismo caótico do mentor Trump, navega agora com "seu exército" (pelo menos a parte que acredita lhe pertencer) pelas águas poluídas da paisagem política brasileira.
A pergunta que se impõe é entretanto outra: até que ponto esta ojeriza crescente pelos militares é justificada? Uma questão complicada.
O povo brasileiro teve ao longo da história muitas vezes um certo orgulho dos militares. Um orgulho até exagerado, se considerarmos que os feitos da esfera militar quase sempre foram discretos e ambivalentes. A Proclamação da República foi o primeiro ingresso militar de maior porte na política brasileira. Militares republicanos se sucederam levando o país de uma crise econômica à outra, até limparem o terreno entregando o comando a civilistas que eram também "flores que não se cheire", mas representam a forma normal de governo no mundo civilizado.
Na Segunda Guerra Mundial o Brasil ingressou por mero oportunismo, primeiro bajulando Hitler até quando o Nazismo, com a desleixada e rechaçada invasão da Rússia em 1942, começou a declinar. Assim tivemos que trocar a casaca às pressas (uma incoerência que a Argentina até hoje não cometeu), para aproveitar as promessas de ajuda com armamentos e indústria bélica dos EUA.
A campanha da FAB na Itália, que tanto é considerada uma espécie de glória nacional, foi na verdade um apoio logístico secundário para os EUA no crepúsculo do conflito mundial, sem desmerecer a honra de nossos Pracinhas que lutaram heroicamente e mesmo pereceram ou voltaram com ferimentos profundos da campanha na Itália. Muitos terminaram na reserva perambulando pelas ruas, desempregados e tiveram que processar o Estado para obter uma pensão vitalícia merecida mas em muitos casos não reconhecida. A embriaguês foi o destino de muitos.
O aprendizado dos primórdios da República entretanto já estava bem apagado das memórias e a insurgência militar de 1964 só serviu para afundar o Brasil em duas décadas de insignificância econômica e social, respeitadas algumas diligências dos sucessivos governos militares que realmente trouxeram ordem e disciplina ao país (e mesmo num nível reconhecível um certo desenvolvimento industrial periférico, como a criação da EMBRAER e a siderurgia nacional).
O custo deste sucesso meio cosmético, entretanto, medido no número de pessoas que foram torturadas e assassinadas naquelas duas décadas de ditadura, foi exageradamente alto, e muitos o pagam até hoje.
Agora parece que a população percebe este desvio repetido de influência militar nefasta no governo. Se isto vai servir para despedir o atual ocupante do Planalto por justa causa nas próximas eleições é algo que não podemos responder agora.
O que podemos entretanto observar é que este declínio de popularidade militar no seio da sociedade é algo injustamente generalizado. Existem militares, tanto ativos como reservistas, e em todas as três Armas, que não se identificam com o papel intervencionista e abusador de parte minoritária das Forças Armadas. São militares que não endossam a conduta desrespeitosa e infringente de um General Pazuello. Exemplo digno de citação no outro lado da medalha é o General Hamilton Mourão, que desde o início de sua participação no governo, ocupando o cargo de Vice-Presidente, sempre se manteve coerente com a dignidade e respeito que sua insígnia de general reclama. Militares como o general Mourão (e mesmo sem citar outros nomes, tenho certeza que ele não é nenhum corpo estranho no Exército) podem reacender a popularidade militar no Brasil.

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