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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Os mudos do Gabinete das Sombras e outras notícias
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Por que fugir na hora da declaração pública?

No dia que o país ouviria mais um dos membros do Gabinete Paralelo, o empresário Carlos Wizard, este não compareceu à CPI da Pandemia. Ele conseguiu um Habeas Corpus junto ao STF para não ser obrigado a responder algumas perguntas feitas durante a sessão, mas deveria se apresentar ao Senado Federal. O presidente da Comissão senador Omar Aziz mostrou sua indignação por esta ausência e declarou que vai pedir à Justiça a condução coercitiva do faltoso e a retenção do seu passaporte, quando este chegar dos Estados Unidos ao Brasil.
A tentativa de fazer o depoimento por meio remoto e de ter acesso a documentos sigilosos foi negada para Wizard. Isso não foi concedido a nenhum dos que foram convocados ou convidados até o momento. O último que compareceu, o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel, estava sob um Habeas Corpus, inclusive não era obrigado a comparecer, mas abandonou a sala da sessão quando os governistas começaram a fazer as perguntas. Mas, de parte a parte, nada foi acrescentado para esclarecer os supostos desvios – viu-se que prevaleceu a politização.
Provavelmente a frustração de ambos os lados, opositores e apoiadores do governo federal, se materializou no depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro. Ele foi repreendido por fazer discurso eleitoreiro, trocou farpas com o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República, e ouviu do senador Jorginho que era uma vergonha para o Judiciário brasileiro. Pena que isso pouco ajudou sobre as denúncias de desvios de verba federal enviada para o combate à pandemia. O jeito é aguardar os esclarecimentos das investigações que ocorrem.
Mas um ator que tem aparecido nesta CPI é a atuação do STF. Afinal o Habeas Corpus é concedido por esta Instituição. Portanto, exigir o seu fechamento somente quando desagrada é antirrepublicano num regime democrático. O ex-ministro da Saúde general Pazuello têm direitos acima dos governadores do Amazonas e do Rio de Janeiro? Se prevalecer a imparcialidade, os contra e a favor precisam aceitar as decisões da instância máxima da nossa Justiça. É a tal da filosofia popular que “pau que bate em Chico também bate em Francisco”. Simples assim!
Girando os holofotes em outra direção, lembrando que a economia está acima de tudo, inclusive da vida humana, o mundo financeiro deixou a pandemia de lado e focou na Medida Provisória para a privatização da Eletrobras. O texto base foi aprovado no Senado e volta à Câmara de Deputados, gerando expectativas no mercado de ações. Sabe-se que há uma ameaça no fornecimento de energia elétrica, por causa da crise hídrica, mas o atual ministro das Minas e Energia tranquilizou o país dizendo que o sistema de hoje é diferente da época do apagão.
Como a vacina é um tema que não sai dos noticiários, soube-se que houve uma decisão proposital em atrasar o fornecimento da Pfizer. Além disso, o presidente da República voltou a desqualificar o imunizante do Butantan, contrariando a própria Anvisa, o órgão competente para aprovar medicamentos, num momento que se comemora a entrega de 50 milhões de doses de vacinas entregues ao Ministério da Saúde. Talvez a declaração de Bolsonaro seja porque o anúncio desta vitória partiu do governador de São Paulo João Dória. A politização ainda em foco?
O fato é que esta pandemia acirrou ainda mais a divisão da população entre os contra e os a favor do tratamento precoce. Senadores governistas queriam um debate público entre os defensores e os críticos do uso do kit Covid, uma combinação de medicamentos entre eles hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, vitamina D e vitamina C. Mas será que a simples defesa de alguns profissionais é suficiente para a adoção deste procedimento no Sistema Público de Saúde, via Ministério da Saúde? Não há um atalho seguro e confiável indicado pela Ciência?
Provavelmente a vontade dos governistas é contrapor às opiniões dos profissionais que compareceram à CPI da Pandemia para mostrar, com fatos e dados científicos, que o tratamento precoce indicado pelo Gabinete Paralelo é ineficaz. O que se ganharia com isso? Como justificar os gastos no aumento da produção de um medicamento que não serve para combater a Covid-19? Se há acusação de desvios de verbas para outros fins... Por que isso deve ficar de fora de uma investigação rigorosa? Insistir na ineficácia quando caminhamos para 500 mil mortes?

J R Ichihara
18/06/2021

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