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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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FDP do STF e a presidência da República
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O perigo do comportamento fora do quadrado Constitucional


Quem já se acostumou com o linguajar do presidente Jair Bolsonaro, especialmente contra os adversários ou os considerados inimigos do Brasil, não se surpreendeu quando ele chamou o ministro Barroso, do STF/TSE, de Filho da Puta. A declaração foi gravada e apenas reforçou o que ele acha dos que não aprovam a sua proposta na implantação do voto impresso nas próximas eleições para a escolha dos cargos executivos e legislativos. Portanto, a agressão verbal saiu do cercadinho do Palácio da Alvorada para ganhar repercussão em todo o território nacional. E daí?
A reação do STF foi imediata e aumentou a temperatura do clima entre os Poderes Executivo e Judiciário, que já vem num ponto muito próximo da ebulição, por causa dos termos ofensivos empregados pelo presidente da República. Houve até uma reunião entre o Mito e o ministro do STF Luiz Fux, objetivando um diálogo priorizando o respeito mútuo, mas a trégua durou poucas horas. Além de ler um discurso rebatendo a declaração de Bolsonaro, o presidente do STF cancelou a reunião agendada entre os presidentes dos Três Poderes para buscar a harmonia.
Infelizmente os termos inadequados usados pelo presidente da República encontra apoio entre alguns cidadãos de bem. Mas sabe-se que isso só agrada aos ouvidos dos que são contra o entendimento dentro da liberdade de expressão que valoriza os limites civilizados. Como são vistas essas atitudes no circuito internacional? Por que a única forma de defender suas propostas se sustentam com essas declarações? Se isso não demonstra uma dificuldade para conviver num regime democrático, onde as ameaças são os recursos empregados, algo está muito estranho.
Por que neste governo ninguém pode ser questionado ou investigado quando surge uma denúncia com indícios de comportamento irregular? Ao se colocar acima de qualquer suspeita, mas usando e abusando do direito de criticar os opositores, esta gestão demonstra não aceitar a transparência que tanto exige dos outros. Tal comportamento é típico dos regimes autoritários que foram livremente escolhidos pelos eleitores. Nada justifica governar tentando impor desobediência à Constituição Federal sob a alegação que a vontade da maioria elegeu o presidente da República.
O fato é que a gama de problemas que precisam de atitudes do líder do país não encontram qualquer sinalização de busca nas soluções. Pouco adianta ironizar ou desdenhar dos que sofrem as consequências das crises sanitárias, econômica e moral que o dia a dia tem mostrado à população. Quais efeitos positivos se atingiu depois das frequentes motociatas promovidas pelo presidente da República? Alguém se dá ao trabalho de avaliar no que essas manifestações espontâneas ajudam para vencer as crises que as pessoas enfrentam? Portanto...
Enquanto a CPI da Pandemia tenta esclarecer como o Ministério da Saúde procurou comprar as vacinas para imunizar a população contra a Covid-19, a tropa de choque do governo federal se empenha em desqualificar os depoimentos contra os seus interesses. Percebe-se também os ataques às reputações dos membros do G7, o grupo de opositores e independentes contra este governo, como se isso amenizasse a tentativa de alguém ganhar uns “trocados” na aquisição dos produtos que salvariam muitas vidas. O termo “narrativa” ganhou destaque nacional.
Seguramente quem se sentiu chocado quando um presidente da República disse que o país tinha um STF acovardado e um Congresso ocupado por 300 picaretas, deve aceitar que relativizar as palavras de uma autoridade tem lá suas implicações para manter a independência e a harmonia entre os Três Poderes para o bem da Democracia. Afinal vivemos tempos obscuros e temerosos, com a instabilidade política no limite que a corda permite ser esticada, que dependem da maturidade de todos os líderes necessária para vencer os obstáculos apresentados.


J R Ichihara
09/08/2021

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