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ODILON DE MATTOS FILHO
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O NOVO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA E O VELHO PRECONCEITO
Por: ODILON DE MATTOS FILHO

Sabemos ser de reconhecimento mundial o Programa Bolsa Família criado no primeiro mandato do governo Lula e que está completando 18 anos. Aliás, a ONU o considerou modelo de instrumento de transferência de renda e a FAO como uma das principais estratégias para a superação da fome. Esse programa atende mais 14 milhões de famílias, o que corresponde a um quarto da população brasileira.

O Bolsa Família foi criado como uma Política de Estado, no entanto, no atual governo esse programa é visto como política de um governo de esquerda e que tem uma identificação muito forte com o presidente Lula e com o Partido dos Trabalhadores.

É fato que o presidente Bolsonaro e sua camarilha estão muito preocupados com as pesquisas de intenção de voto, pois, se as eleições fossem hoje, certamente, o presidente Lula venceria no primeiro turno. Evidente que essas pesquisas favoráveis ao presidente Lula não é apenas em virtude do legado do seu governo, mas também e especialmente, pelo caos econômico, social e institucional em que se encontra o país comandado pelo ex-capitão Bolsonaro.

No campo econômico o atual governo está amarrado e é partícipe de um modelo de política que privilegia apenas as elites dominantes e por outro lado, é extremamente excludente, e os defasados salários, o desemprego nas alturas, a alta informalidade, a carestia dos alimentos e a fome, são exemplos desse nefasto modelo econômico.

Quanto às Políticas Públicas o que estamos assistindo, também, é o fim ou a drástica diminuição das políticas sociais, inclusive, aquelas voltadas para educação, saúde e cultura, e a Pandemia que, lamentavelmente, já matou mais de seiscentos mil irmãos brasileiros é a prova inconteste da omissão e do absoluto fracasso do atual desgoverno.

O presidente Bolsonaro, desculpa a redundância, que só pensa nas eleições de 2022, sabe que com relação à política econômica não poderá fazer absolutamente nada de diferente, dado o seu comprometimento e os acordos com as elites nacional e internacional. Mas, por outro lado, ele sabe pela experiência com o Auxílio Emergencial, que pode fazer alguma coisa para tentar equilibrar o jogo eleitoral. Neste contexto e estrategicamente, Bolsonaro editou a MP nº 1.061/2021, que criou o Auxílio Brasil que substituirá o Bolsa Família. Com essa MP, que brevemente se transformará em lei, Bolsonaro conseguirá turbinar financeiramente esse programa e ao mesmo tempo, tentará apagar da memória da população o programa Bolsa Família, que como dito alhures, está intimamente ligado ao seu adversário, o presidente Lula e ao PT.

No entanto, esse novo programa, “Auxílio Brasil” já nasce com a marca deste governo reacionário e reconhecidamente preconceituoso, aliás, com a mesma mentalidade com que as elites dominantes olham os pobres do Brasil.

Neste novo programa, para ficarmos em apenas um exemplo, está previsto bonificações aos beneficiários que conseguirem um emprego formal. Tentando explicar ou enaltecer esse ponto do programa, o relator do Projeto, deputado, Marcelo Aras (PP/MG) em entrevista ao jornal Correio Brasiliense, disse que essa bonificação será uma forma de “estimular esse cara a continuar empregado1”.

Essa fala do deputado trás duas tristes constatações: a primeira é a lógica da perversidade. Será que o deputado esqueceu que o Brasil tem mais de 14 milhões de desempregados e mais de 36 milhões na informalidade, portanto, sem CTPS assinada? A segunda constatação, é que a frase do deputado nada mais é do que a reprodução da voz preconceituosa das elites do país. Aliás, sobre essa fala, a ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello disse: "...falar que uma pessoa precisa de estímulo para ficar empregado é tratar os mais pobres como vagabundos, como se eles não quisessem ter um emprego” Continuando ela disse: “...dar um bônus apenas aos beneficiários que conseguirem um emprego formal é punir duas vezes a pessoa que não consegue trabalho com carteira assinada – a primeira punição é o desemprego ou o emprego informal e sem direitos; a segunda é ser privada de um benefício, como se a culpa por não ter carteira assinada fosse dela2”.

Portanto, fica claro com esse novo programa “Auxílio Brasil” o desespero que tomou conta do presidente Bolsonaro em tentar ganhar a classe mais pobre do país e se garantir no segundo turno das eleições.de 2022. Aliás, a pressa foi tamanha, que estava marcado o lançamento do programa sem ter ajustado com a equipe econômica o valor das parcelas para os beneficiários e a fonte de receita para cobrir o Auxílio Brasil. Realmente, o pânico bateu no ex-capitão Bolsonaro e em toda sua camarilha. É a sombra do ex-metalúrgico Lula rondando o Palácio do Alvorada!

Agora é esperar para ver se essa estratégia de Bolsonaro poderá encobrir e fazer com que o povo esqueça o preconceito, a mesquinhez, o ódio, a corrupção, a violência e a incompetência deste governo que com a sua rotineira desídia não conseguiu evitar, por exemplo, que mais de seiscentos mil brasileiros e brasileiras perdessem suas vidas com essa Pandemia.

E diante desse tenebroso quadro, só nos resta aguardar que este sofrido povo brasileiro tenha amadurecido e se conscientizado politicamente, pois, o que está em jogo é a nossa incipiente democracia e o futuro das novas gerações.














1 Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2021/10/4955804-marcelo-aro-nao-faz-sentido-prorrogar-o-auxilio-emergencial.html
2 Fonte: https://pt.org.br/com-auxilio-brasil-bolsonaro-mostra-seu-preconceito-contra-os-pobres/

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