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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Nuances da política?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O principiante e seus limites

Costuma-se dizer que a política é uma ciência onde há possibilidade de unir os que pensam diferente para defender uma causa comum. Os mais ousados afirmam que é o ambiente onde tudo pode acontecer, inclusive o improvável e o impossível. Portanto, não há porque se surpreender com as alianças e os acordos entre adversários figadais e até mesmo inimigos publicamente declarados nos meios de comunicação tradicional. Daí que os especialistas dizem que os principiantes dificilmente “engolem” as raposas que atuam nesta atividade do dia a dia.
Mas os valores e as premissas que norteiam as disputas eleitorais, dizem os caciques dos partidos políticos, são invioláveis, tipo as cláusulas pétreas das leis que regem a vida numa sociedade organizada e democrática. Fidelidade, respeito às decisões espontâneas da maioria e tudo mais. O ápice dos estatutos, porém, é o bem-comum acima de qualquer interesse pessoal. Isso é o que move cada partido legalmente constituído neste país. Como não acreditar que qualquer candidato eleito lutará para melhorar a vida do cidadão, independente de viés ideológico?
O que se vê na prática, no entanto, é discutível e questionável no que se constrói sobre a defesa de valores tão nobres. A escolha livre de uma indicação para o candidato à presidência da República não é para valer? O capital político por uma gestão louvável durante uma crise sanitária pode ser vista como uma ação oportunista? Será que o respeito à decisão interna, sem interferências externas, está abaixo dos interesses da briga pelo poder? Isso foi materializado na recente desistência do ex-governador João Dória, do PSDB, o vencedor nas prévias do partido.
Quem se lembra da atuação do governador João Dória para conseguir vacinas na época que a pandemia da Dovid-19 assustava a população? A campanha só começou no Brasil graças a ele. Por causa disso ele virou desafeto do presidente Bolsonaro. De aliado que se elegeu sob o nome de Bolsodória, o termo que o ligava ao candidato Jair Bolsonaro, passou a ser o “Calça Apertada”, o garoto-propaganda da Vachina, uma depreciação da vacina desenvolvida com insumos vindos da China. Por que ele foi preterido até por quem se negava a adquirir a vacina?
Uma lição que este exemplo deixa é que algumas regras na política sempre servirão para os que pretendem se arriscar nesta atividade. O orgulho de dizer que nunca atuou na política com trunfo para ser o “diferentão” às vezes não faz diferença quando o jogo é de cartas marcadas. Ser prefeito e governador da capital e do estado mais importante do país é uma coisa... virar presidente da República é ultrapassar um sarrafo num patamar muito elevado. No discurso sobre a desistência a segurança de Dória esvaiu-se, virou pó, como todo o seu histórico de bom gestor.
Vida que segue, diz o ditado. Caso semelhante é o do ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro. Da mesma forma que os holofotes da mídia viviam estampando a sua figura heroica à frente da Operação Lava Jato, as notícias hoje são de fracassos na tentativa de ser o candidato à presidência da República. Coincidentemente ele também é filiado ao PSDB, o mesmo partido de João Dória. Também era um bolsonarista incondicional. Saiu do governo Bolsonaro por não concordar com as interferências na sua Pasta... E virou mais um desafeto, um traidor. Portanto...
Infelizmente as nuances na política não são bem-vistas pelos olhos dos inflexíveis, os adeptos do famoso preto no branco, do oito ou oitenta, os que acreditam que as palavras serão honradas, mesmo as que não foram escritas. Quanta inocência! No meio político só o ingênuo se norteia por esses valores e acreditam em tudo que veem e ouvem. Por isso, as raposas continuam mandando no pedaço – e continuarão mandando ad eternum. Enquanto os afoitos novatos não incomodarem tudo bem, mas a partir de certo limite as ações exigem as usuais jogadas de mestre.
Também por causa disso e de outras manobras que desagradam muitos desprezam a política e passam a descreditar nela. Será que é a opção correta? Deixar de participar, ou pelo menos procurar saber o que está acontecendo, porque não concorda, é permitir que o caminho fique livre e desimpedido para os aventureiros e oportunistas que só visam os interesses pessoais. O cidadão deve estar antenado no que acontece hoje e vai influenciar no seu futuro. Afinal é do resultado desse jogo de interesses que decidirá como será a sua vida daqui para a frente. Então...

J R Ichihara
24/05/2022

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