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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Armas: segurança pessoal e insegurança coletiva
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Se só serve para matar...

O recente episódio da matança numa escola primária dos Estados Unidos, por um jovem de 18 anos, traz à tona a velha e batida discussão sobre o benefício de liberar o porte de armas de fogo para a população. Segundo a mídia, o rapaz adquiriu os dois rifles logo depois de completar 18 anos de idade. Relatos dizem que ele avisou que havia matado a sua avó e se dirigiu à escola onde matou 2 professoras e 19 crianças, entre 7 e 10 anos de idade, sendo morto depois pela polícia. A tragédia ocorreu em Uvalde, no Texas. O autor identificado é o Salvador Ramos.
A dor e o sofrimento das famílias atingidas pela ação de Salvador Ramos pouco significou para a Associação Nacional do Rifle dos Estados Unidos, a NRA. Há uma reunião programada para esses dias em Houston, uma cidade no mesmo estado distante cerca de 500 quilômetros do local onde Salvador Ramos distribuiu os tiros. A comunidade local e o prefeito da cidade se manifestaram criticando o evento, mas o ex-presidente Trump afirmou que discursará defendendo o porte de armas. Isso confirma o poder do lobby da indústria armamentista norte-americana.
Se os exemplos ocorridos nos Estados Unidos, o país da liberdade e do direito de se defender portando arma de fogo, ainda não convenceu a sociedade brasileira, o próprio presidente norte-americano declarou que não concorda com a facilidade para a liberação. Enquanto isso, o nosso presidente da República insiste que isso aumentará a segurança pessoal da população. O que ainda precisa ser demonstrado para convencer que outros países não adotaram isso como medida preventiva com sucesso? Há o risco de terceirizar mais uma responsabilidade pública.
Uma operação na favela Cruzeiro, no Rio de Janeiro, no combate ao narcotráfico, deixou 21 mortos como saldo. O caso ganhou repercussão internacional porque a forma usual de atuação não se importa com a vida dos inocentes. Apesar das críticas, o presidente da República elogiou a operação dizendo “parabéns aos guerreiros do Bope e da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que neutralizaram pelo menos 20 marginais ligados ao narcotráfico em confronto, após serem atacados a tiros durante a operação contra líderes da facção criminosa”. Simples assim?
Mas a opinião do STF e de uma parte da sociedade brasileira diverge da visão do presidente da República. Para o presidente da Suprema Corte, a Polícia Militar deve explicações sobre as mortes, apesar de deixar claro que não quer gerar polêmicas com esta corporação. A forma de combater os problemas gerados pelas diferenças sociais não pode ultrapassar as 4 linhas, tão preservadas e consagradas pelo presidente da República. Matar em vez de torturar é o recurso eficaz restritos aos regimes ditatoriais que foram banidos do país, há quase 3 décadas.
Ironicamente o nosso presidente da República, que sempre apoiou a tortura e o fuzilamento, declarou que não se admite execução. Foi a sua resposta quando perguntaram o que ele achou da morte de um rapaz, em Sergipe, que supostamente morreu asfixiado no porta-malas de um carro da Polícia Rodoviária Federal, por causa da aplicação de fumaça no compartimento. O que mudou? Parece que a reeleição exige um comportamento descolado de práticas condenadas pela Democracia. Afinal, só um terço de votos é insuficiente para mantê-lo no poder.
O mundo continua vendo a destruição e as mortes das pessoas na Ucrânia por causa da invasão das tropas russas sob o comando do presidente Vladimir Putin. As imagens chocam pela incompreensão da necessidade disso tudo. Mas o que não pode ser esquecido é que o que produziu as cenas desumanas foram as armas colocadas nas mãos das pessoas. O que para muitos significa uma forma de defesa pessoal ou coletiva, pode se traduzir na vontade de impor humilhação e obediência sob ameaça de perder a vida e enterrar os sonhos e a esperança.
Como duvidar que a indústria bélica é uma das mais poderosas e influentes junto a alguns sistemas de governo nos quatro cantos do mundo? Toda ditadura é implantada com a utilização de armas, assim como a insatisfação contra ela, quando chega ao extremo, também se manifesta através delas. O que virá com a escolha desta forma de segurança pessoal e coletiva na nossa sociedade? Muitas mortes, independentemente do viés ideológico da vítima. Portanto, a facilidade para a liberação de armas pode ser um tiro que vai sair pela culatra. Ou somos mesmo diferentes?

J R Ichihara
27/05/2022

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