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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Maldade nos dias atuais continua seletiva
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Mata quem pode e morre quem merece?

Sabe-se que no Brasil o saco de maldades aberto pelo Poder Público geralmente atinge somente os mais desprotegidos. Ou os que desagradam os donos do país. Isso, queiram ou não os fanáticos pela política partidária, é o tratamento normal palaciano com os desamparados e os vulneráveis que não têm como se defender. Basta ver que todo corte de verba anunciado pelo governo federal tem um impacto significativo para esta classe. Por outro lado, a facilidade para quem precisa menos é generosa. Daí que surgem o tchutchuca e o tigrão numa mesma pessoa.
Mas o que se ouve de alguns quando há uma grita sobre o aumento do aperto no pescoço do desfavorecido, dos desempregados e dos que não têm o que comer? Que isso é porque optaram para ficar em casa no momento da pandemia, ou não trabalham o suficiente para adquirir os gêneros de primeira necessidade. Alguns vão além dessas justificativas neoliberais: que os reclamantes ficam esperando o favor dos cofres públicos. Mas por que há uma preocupação em socorrer as empresas mal administradas? Elas não devem assumir o risco se algo der errado?
Como ter esperanças diante de um cenário assustador e sem a sinalização de que há um plano exequível para trazer um pouco de tranquilidade para os desesperançosos? Que há uma guerra no Leste europeu todos sabemos. Mas o que estão fazendo para enfrentar as ameaças que existem pela consequência disso? Alegar que a crise é mundial justifica apenas uma parte do problema. O que a população quer saber é como o governo está agindo para, pelo menos, amenizar os efeitos gerados pelo confronto. Alguém sabe? Talvez a reeleição seja mais urgente.
Uma declaração do presidente Bolsonaro sobre o desaparecimento do indigenista e do jornalista inglês nas matas da Amazônia alimentou as cobranças local e mundial. Disse ele que provavelmente fizeram uma “maldade” com os dois. Quando soube da morte do pedreiro, asfixiado no porta-malas do carro da Polícia Federal em Sergipe, ele falou que isso era inaceitável, mas tentou colocar panos quentes citando um caso anterior em que policiais foram mortos. Parece que assassinato, dependendo do autor, pode ser atenuado como “maldade”, um leve deslize aceitável.
O que chocou depois de ouvir a declaração presidencial foi a exibição de um vídeo onde ele responde de forma agressiva uma pergunta do jornalista sumido sobre a preservação da Amazônia. Falou que a região é nossa e que nenhum pais no mundo tem moral para nos cobrar isso porque destruíram todas as suas florestas. Este comportamento abriu um leque de suspeitas sobre o porquê da “maldade” contra os desaparecidos. Denunciar e mostrar as atividades ilegais neste fim de mundo, com a fiscalização reduzida de propósito, é muito incômodo para alguns.
Infelizmente para os menos favorecidos, o que se emprega para os casos de execução, massacre e outras formas inaceitáveis de se tirar uma vida recebem uma fina camada de justificativas. Fatalidade, é um corriqueiramente usado. Estar no local e na hora errados, também é muito usado. Aceitou correr o risco porque não avisou as autoridades responsáveis pela segurança, foi o caso do indigenista e do jornalista. Ou seja, nada garante que a Justiça faça algo sem levar em consideração essas variáveis porque a “maldade” existe e não tem previsibilidade.
Portanto, os irresponsáveis que colocam a segurança pessoal em risco, nada têm a cobrar das nossas autoridades, muito menos do nosso presidente da República. Quem mandou os dois fuçarem as atividades de pessoas que só querem ganhar honestamente o pão de cada dia? Não bastou tirar os fiscais que só atrapalham quem quer produzir e desenvolver a região? Chega de indústria de multas? Deixem os bravos e corajosos arriscar a vida enfrentando malária, animais peçonhentos e demais perigos para melhorar a vida na região. O mundo também vê desta forma?
Quem não percebeu a mudança de comportamento do presidente Bolsonaro nas declarações públicas? Será que a proximidade das eleições tem alguma influência nisso? As ofensas verbais e outras atitudes pouco diplomáticas deram lugar a uma forma menos agressiva nas respostas. Mas a má fama que conquistou permite até uma postagem falsa que aumenta a rejeição dele. Atribuíram a ele uma resposta inaceitável quando perguntaram sobre os 33 milhões que passam fome no Brasil: eu não sou cozinheiro! A maldade não têm limites para alguns.

J R Ichihara
15/06/2022

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