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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Nem a poderosa Compactor pode com o deus mercado?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quando nem tudo se resolve fuzilando ou desfazendo

No auge da aprovação e com a popularidade na estratosfera, o presidente Bolsonaro declarava que era o dono da caneta Bic. Depois que teve um desentendimento diplomático com o presidente da França, Emanoel Macron, mudou para a caneta Compactor porque a Bic é francesa. O impacto disso foi fulminante para aquele país. Já pensaram o desprestigio quando um presidente poderosíssimo toma uma decisão dessas? Mas como a vida tem de seguir em frente, o poder da nova caneta nas mãos do nosso presidente nomeou, exonerou e até perdoou.
Passado o auge da pandemia da Covid-19, mas com os problemas gerados pelas consequências, além do confronto sem tréguas com o STF e com o TSE, o presidente reclama que não lhe resta tempo para se ocupar dos assuntos importantes. Mas a caneta Compactor não descansou diante dos problemas urgentes que vivemos. Enchentes no Sudeste e no Nordeste, guerra na Ucrânia, desabastecimento de gêneros alimentícios, o que elevou absurdamente os preços, de medicamentos e a inflação acumulada que chegou a 11,73% em maio deste ano.
Mas o mundo neoliberal não tem pena dos que não podem sobreviver com dignidade. Por isso, o aumento significativo dos famintos, dos devedores e dos que dependem de um trabalho formal ou informal para colocar comida na mesa da família. Os preços dos combustíveis não param de subir, os caminhoneiros não sabem mais como enfrentar isso e os Três Poderes se reúnem em exaustivas sessões para encontrar uma solução. Como está agindo o dono da caneta Compactor? Para ele, o vilão agora é a Petrobras, mas já foi o ICMS dos governadores. Nunca falta um culpado!
Daí que a solução do nosso presidente é privatizar a Petrobras. Isso tem o apoio dos empresários da atividade de óleo e gás. Diz a cartilha do mundo dos negócios que a melhor empresa para ser administrada é uma petrolífera, mesmo com resultados negativos no seu balanço. O que não fica claro para a população é como o governo federal vai controlar o apetite das empresas por lucros cada vez maiores. Se como o acionista majoritário, indicando a diretoria e alguns membros do Conselho de Administração, ele não pode fazer nada... como ficará depois?
A genialidade, porém, está muito acima dos problemas triviais que a mídia esquerdopata e os conspiradores insistem em colocar em pauta. O que importa se 33 milhões de pessoas não têm o que comer? Ou que 66% dos brasileiros não conseguem pagar as suas contas? A alegação que o mundo está em crise justifica que paguemos os maiores juros do planeta? Que a nossa moeda é a mais subvalorizada internacionalmente? De que adianta ouvir do ministro da Economia Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, que temos a melhor recuperação pós-Pandemia da Covi-19?
O fato é que os privatistas convictos também não sabem responder aos questionamentos que a grande maioria faz. Muitos vibraram com o anúncio da privatização da Eletrobras. O motivo da comemoração é que os cofres públicos serão aliviados com isso. Quem garante que os preços das tarifas serão mais baixos? Ou que a qualidade do fornecimento vai ser muito melhor? Empresa privada visa apenas o lucro. Quem atua num mercado cativo como a energia elétrica faz caridade? Alegar que os cofres públicos serão poupados, sem pensar no próprio bolso, é muito estranho.
Para completar o calvário do nosso presidente da República, repercutiu no mundo o desaparecimento do indigenista e do jornalista inglês na Amazônia. Os restos mortais encontrados foram confirmados, pela Polícia Federal, que são do jornalista Dom Phillips. Para não restar dúvidas sobre este caso, o suspeito do assassinato declarou que não houve um mandante nesta maldade. Certamente alguém descontente com a intromissão do “gringo” resolveu aplicar um corretivo nele. Simples assim! Ainda não divulgaram nada sobre os restos mortais do indigenista.
Infelizmente, por falta de um plano para tirar o país do atoleiro, somos obrigados a ficar ouvindo o chororô do Planalto. Agora a proposta do presidente da República é instaurar uma CPI na Petrobras. Ele já disse que o lucro dela é absurdo. Nem parece o mesmo que dizia que não ia interferir na gestão desta empresa. O curioso é que a direção da empresa é nomeada por ele. Há pouco tempo ele se orgulhava de escolher o seu pessoal pelo critério técnico. O que mudou? Será que a força do deus mercado está acima até do poder do dono da pesada caneta Compactor?

J R Ichihara
18/06/2022

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