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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Busca e apreensão no foco dos holofotes
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Qual dos julgamentos satisfaz a população?

A semana em curso iniciou com um fato que virou manchete nos principais meios de comunicação do Brasil, apesar da ausência da espetacularização midiática que o país conheceu há alguns anos. Depois que circulou as suspeitas e denúncias de espionagem que a gestão do presidente Bolsonaro fazia sobre os seus adversários e críticos, a que ficou conhecida por ABIN paralela, a operação de busca e apreensão era esperada. O alvo era um dos filhos do ex-presidente, o vereador Carlos Bolsonaro, citado nas declarações de ex-colaboradores do seu pai.
O fato é que a Polícia Federal não encontrou o vereador no endereço da busca. A versão do advogado da família é que o ex-presidente e os seus filhos saíram para uma pescaria, um pouco antes da chegada do pessoal envolvido na operação. Mas o estranho é que o horário e o dia da semana – 5 horas de uma segunda-feira – não é normal para um momento de lazer. Portanto, o que levanta muita suspeita é que houve um aviso do que aconteceria na casa onde a lancha seria usada para o merecido passatempo da família. Também não se viu filmagens da fuga.
Para quem gosta de comparações sobre o tratamento de ex-presidentes, quando a PF chegou na casa de Lula, o encontrou e apreendeu tudo sem qualquer impedimento. Basta lembrar que até o tablet do seu neto, que depois faleceu quando ele estava preso, foi levado para ser periciado. Até onde se sabe, o tal brinquedo nunca foi oficialmente devolvido. Além disso, a mídia estava presente no local, como se tudo estivesse programado para mostrar a operação. Se isso não causou sérios constrangimentos, ajudou a difamar o investigado perante a opinião pública.
Agora uma nova página está sendo escrita, mas a que foi virada deixou registros questionáveis. Talvez a avidez da mídia por notícias bombásticas atrapalha e favorece os investigados. Ouviu-se que foi apreendido um computador da ABIN nessa operação no litoral do Rio de Janeiro. Mas foi na casa de um ex-assessor do ex-chefe da ABIN e atual deputado federal pelo PL-RJ Carlos Ramagem, o militar Giancarlo Gomes Rodrigues, cuja esposa é servidora deste órgão. Esta operação foi na Bahia, e dá motivos para a defesa explorar como perseguição política.
Sabe-se que a mídia tradicional e as redes sociais têm um poder de influenciar as pessoas. Por isso, as publicações exigem um mínimo de responsabilidade da parte de quem divulga as notícias, assim como uma dose de desconfiança por parte dos que leem e ouvem. A História revela equívocos que servem como lição aprendida. Há muito risco ao antecipar o desfecho de uma investigação criteriosa e de enorme repercussão quanto a sentença. Todos têm o direito a ampla defesa, mesmo que as provas e as opiniões sejam condenatórias. A Justiça deve ser imparcial!
Infelizmente as pessoas julgam e condenam com base nas convicções pessoais, mas as influências externas tipo mídia, opinião de especialistas e outros, acabam ajudando a eliminar qualquer dúvida que existe. Não fosse assim, por que muitos aderem ao fanatismo e norteiam suas vidas motivadas por idealismos que fogem da realidade? Quando a pessoa chega a este nível de compreensão não adianta mostrar os fatos, as provas documentais sobre atitudes e comportamento, as declarações públicas e outros. Sua mente se fechou para enxergar a realidade.
Quem defende que a Democracia é um valor inegociável dispensa o fanatismo que cresce e se espalha assustadoramente no mundo. Os controladores do poder já perceberam quais são os meios que facilitam a militância dos que podem ser manipulados. Por isso, tudo que concentra muitas pessoas que têm um objetivo comum é um alvo muito cobiçado. Daí o comportamento das torcidas dos times de futebol, dos fiéis religiosos, dos grupos radicais que acreditam que podem mudar tudo sozinhos. Vivemos num mundo onde isso faz parte da convivência diária. Então...
Como um povo sedento por punição aos que desobedecem às regras se comporta quando isso envolve autoridades dos Três Poderes do nosso país? Há bem pouco tempo, a frase mais valorizada era que ninguém está acima da Lei, que lugar de bandido é na cadeia. As gestões petistas eram acusadas de aparelhar as Instituições para escapar das punições legais, por causa dos inúmeros casos de corrupção e desmandos. Mas por que o filho de um ex-presidente, que só atuava dentro das 4 linhas, não recebeu a Polícia Federal numa operação de busca e apreensão?

J R Ichihara
31/01/2024

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