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ODILON DE MATTOS FILHO
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ABIN A GESTAPO DE BOLSONARO
Por: ODILON DE MATTOS FILHO

Um dos mecanismos utilizados pela ditadura militar na repressão contra os opositores do regime de exceção foi à circulação de informação e para que isso funcionasse a contento foi criado pelo general Golbery do Couto e Silva, Serviço Nacional de Informações, o temido e macabro SNI, órgão principal da espionagem da ditadura e peça-chave do Sistema Nacional de Informações (Sisni) que contou com o apoio e participação direta das Agências de Inteligência dos EUA.

Mesmo depois do golpe militar que, sabidamente, contou com a participação dos imperialistas do norte, o governo militar e alguns governos civis subsequentes continuaram com essa promíscua parceria com os serviços inteligência do governo estadunidense, um exemplo recente dessa abjeta relação foi a complacência do governo Temer e do Sistema Judiciário brasileiro com o modus operandi da Operação Lava-jato.

Com o fim da ditadura militar e a extinção do SNI foi criado em 1999, pelo governo FHC, a Agência Nacional de Inteligência a famosa Abin. Segundo a Lei 9.883/99 que criou a a Abin, […] entende-se como Inteligência a atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação de conhecimento dentro e fora do território nacional sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência sobre o processo decisório e a ação governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da sociedade e do Estado.

Portanto, fica claro que a Abin é um órgão de inteligência de Estado que busca analisar a conjuntura e levar informações e análises estratégicas e confiáveis, para um oportuno processo de decisão, ou seja, trata-se de órgão de Estado!.

Com a chegada de Bolsonaro a presidência deu-se início a um governo que claramente tentava buscar uma ruptura institucional e que se utilizava de métodos e estratégias da ditadura militar para fortalecer o seu governo, uma delas foi a espionagem, ou melhor, a arapongagem.

O então presidente Bolsonaro, para colocar em prática seus objetivos, nomeou para a Abin o delegado da Polícia Federal Alexandre Ramagem, um homem de sua inteira confiança. A propósito, a nomeação de Ramagem para Abin, segundo o brilhante jornalista investigativo Joaquim de Carvalho, autor do instigante documentário intitulado “Bolsonaro e Adélio - Uma fakeada no coração do Brasil", iniciou-se “naquela tarde em que Adélio Bispo de Oliveira ficou frente a frente com Carlos Bolsonaro e caminhou na sua direção antes de ficar frente a frente com Jair Bolsonaro e, com sua atitude, eleger o líder da extrema-direita brasileira presidente da república…1”. E realmente pode-se afirmar que a "Gestapo" de Bolsonaro foi gestada na cidade de Juiz de Fora.

Neste contexto, vale destacar que foi o filho de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, um dos idealizadores do “gabinete do ódio”, que sugeriu ao pai a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para Diretor-geral da Abin, onde permaneceu de 2019 a 2022, lembrando que Ramagem foi o delgado escalado para acompanhar o então candidato a presidência da república, Jair Bolsonaro.

Corroborando esse esquema montado por Carlos Bolsonaro, vale lembrar a entrevista concedida duas semanas antes de falecer, do ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno que afirmou que o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro queria montar uma agência de inteligência paralela visando espionar seus adversários políticos.

Aliás, comprovando que existia mesmo o aparelhamento da Abin, vale lembra da famosa reunião ministerial do 22/04/2022, na qual o ministro do meio ambiente disse que o momento era propício para "passar a boiada", e foi nessa mesma reunião que o ex-presidente afirmou, alto e bom som, a seguinte e comprometedora frase: "eu tenho o meu próprio sistema de inteligência...o meu funciona, o oficial desinforma ".

Empossado como Diretor da Abin, fica criado oficialmente a "Gestapo" do governo Bolsonaro e certamente, a mando de Bolsonaro, Ramagem começou a utilizar deste órgão estatal para realizar arapongagem e produzir dossiês contra os desafetos de Bolsonaro e até de alguns correligionários, inclusive, Embaixadores. Aliás, a Gestapo de Bolsonaro não espionou apenas seus adversários, ao contrário, estava também, a serviço da proteção de sua família, como por exemplo, ajudou Flávio Bolsonaro a ter uma saída jurídica no inquérito das conhecidas rachadinhas e também, trabalhou para atrapalhar as investigações contra Jair Rean, "filho 04" de Bolsonaro no caso do inquérito cujo objeto era o tráfico de influência.

O primeiro caso que veio à tona sobre o modus operandi da "Gestapo" de Bolsonaro foi o da Universidade Nacional de Brasília-UnB, onde foi descoberto que um dos Porteiros que estava trabalhando na UnB é um agente da Abin. Depois apareceram denúncias dando conta de que o governo Bolsonaro estava investigando, espionando e criando dossiês de servidores públicos suspeitos de pertencerem a grupos antifascistas, isso mesmo, antifascista! Na época o caso foi denunciado ao MPF, mas, não se tem notícias do desfecho do mesmo.

Neste ano o Ministro Alexandre de Moares autorizou a PF a deflagar a “Operação Vigilância Aproximada” cujo objetivo é investigar a possível existência de uma organização criminosa instalada na Abin com o intuito de monitorar ilegalmente autoridades públicas, inclusive, há fortes evidências de que cerca de 30 mil pessoas foram monitoradas, dentre elas, os ministros, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e a Promotora de Justiça que investigava o caso do assassinato de Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes.

As investigações da PF tem como alvo vários servidores da Abin, dentre eles, se destaca o ex-Diretor-geral da Abin e hoje deputado federal Alexandre Ramagem.

O caso é de tamanha gravidade, que surgiu outra notícia de que o Procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que “o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) utilizou da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) do Congresso Nacional para ter acesso aos dados sigilosos da Abin. As informações que supostamente o deputado conseguiu acesso eram referentes às investigações contra ele próprio em relação a irregularidades encontradas durante sua gestão do órgão2”.

Outro fato que causa perplexidade é a notícia de que mesmo tendo deixado a Abim em 2022, Ramagem não devolveu equipamentos pertencentes a Agência, como, por exemplo, um notebook e um aparelho de celular. Este fato, que a principio parece banal, pode ser de muita importância, considerando que pode ter nesses dois equipamentos informações que podem comprometer o próprio Ramagem, sem contar que se trata de apropriação ilegal de bem público.

A PF realizou, também, busca e apreensão na casa do filho de Bolsonaro, vereador, Carlos Bolsonaro e na residencia do militar do Exército, Jean Carlos ex-assessor de Ramagem na Abin onde foi apreendido 10 celulares e um computador pertencentes a Abin. Mas essa fase da Operação está sob suspeita, pois há indícios de que ela vazou e Bolsonaro fora avisado da Operação em sua residência em Angra dos Reis, com isso pode ter havido ocultação ou destruição de provas antes da chegada da PF.

Não menos impactante, foi a notícia que a PF descobriu que o atual comando da Abin, agiu para proteger o deputado Alexandre Ramagem das investigações sobre atividades de monitoramento ilegal, ou seja, há dentro da Abin, por incrível que pareça, servidores ligados e a serviço do ex-presidente Bolsonaro, um deles é o Diretor-adjunto da Abin, Alessandro Moretti que foi diretor de Inteligência na PF no último ano do governo Bolsonaro e número 2 de Anderson Torres, na Secretaria de Segurança do Distrito Federal, época que aconteceu a tentativa de golpe no fatídico dia 08 de janeiro de 2023.

Corroborando o envolvimento do atual comando da Abin nessa sórdida história, matéria do Portal UOL noticia que o atual Diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa convocou uma reunião com os diretores da Agência durante a Operação "Vigilância Aproximada" e segundo depoimentos colhidos pela PF, o Diretor-geral criticou as unidades que colaboraram com a investigação da CGU e da PF, inclusive, em tom irritado, Luiz Fernando teria se referido ao grupo colaborador de uma "bandalha".

Por fim, está sendo noticiado pela imprensa que as Operadoras de telefonia Claro, Tim e Vivo sabiam que suas redes estavam sendo atacadas pelo software espião FirstMile e não comunicaram a Anatel, fato que pode caracterizar omissão ou conivência dessas operadoras com a "Gestapo bolsonarista". Vale lembrar, que esse equipamento foi comprado pela Abin em Israel, mas estava sendo utilizado ilegalmente pelos arapongas bolsonaristas lotados na Abin para monitorar certos correligionários e adversários políticos de Bolsonaro.

Diante de tudo é nítido a gravidade das denúncias, ficando patente que há dentro do atual governo e em órgãos estratégicos, pessoas que trabalham de maneira infiltrada contra o próprio governo, o que mostra claramente, um amadorismo político do governo Lula e o perigo que é um governo de coalizão.

Já com relação aos equipamentos da Abin apropriados, ou melhor, furtados por terceiros, mostra que essa Agência de Inteligência está totalmente vulnerável e sem comando. O que esperar de uma Agência de Inteligência que deixa ser furtado de suas dependências equipamentos que lhe pertencem? Esse fato, convenhamos, é um acinte à própria inteligência.

Isso posto, há neste momento a imperiosa e urgente necessidade de se investigar, julgar e punir nos termos da lei todos os envolvidos nessa criminosa arapongagem e em outros atos criminosos que envolveu o governo fascista de Bolsonaro, que, comprovadamente, fez da coisa publica coisa privada, aliás, a tentativa de Bolsonaro de surrupiar as milionárias joias que pertencem ao acervo da Presidência e incorporá-las a seu patrimônio particular, é um exemplo da promiscuidade que rondava o Palácio da Alvorada.

Por derradeiro pode-se concluir que esse caso da Abin é mais um exemplo da falência das instituições brasileiras, e a única saída para corrigir essa situação é a convocação de uma Constituinte livre e soberana, porém, até que aconteça, há uma premente necessidade do governo realizar uma profunda faxina em todos os órgãos governamentais, a começar pela Abin e com a retirada dos militares de seu quadro, ou até mesmo a extinção da Agência, caso isso não ocorra e considerando o momento político no parlamento e a falta de aproximação e diálogo do governo com os movimentos sindicais e populares, a democracia e o povo brasileiro podem estar correndo sérios riscos, inclusive, de sofrer um golpe de estado.












1Fonte: https://www.brasil247.com/blog/policiais-da-abin-paralela-atuaram-no-evento-de-juiz-de-fora
2Fonte:https://www.brasil247.com/brasil/pgr-afirma-que-ramagem-utilizou-da-ccai-para-acessar-dados-sigilosos?tbref=hp

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