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Jornalismo
 
FANTASMAS DO PASSADO
Por: Milton Menezes

“Um dos mecanismos utilizados pela ditadura militar na repressão contra os opositores do regime de exceção foi a circulação de informação e para que isso funcionasse a contento foi criado pelo general Golbery do Couto e Silva o Serviço Nacional de Informações (...) SNI (...)”

Estou citando aqui nosso culto colega Odilon de Mattos Filho em sua mais recente contribuição ao Paralerepensar, e mesmo correndo o risco de ser acusado de puxa-saco, quero aconselhar a todos que leiam o trabalho de Odilon. Sua crônica daqueles tempos tenebrosos de nossa história recente (alguns chamam de “Revolução ou golpe militar de 31. de Março de 1964”, outros como eu, chamam de “disenteria de coronéis com espírito de pracinhas”) relembra o horror dos militares no Brasil. A piada mais trágica a este respeito, é na verdade que o golpesco aconteceu no dia 1. de abril e foi retrocedido a um dia antes para se evitar que o dia da mentira explicasse o golpe sem tiros. Mesmo com a trapalhada no calendário, poucos hoje acreditam naquele golpe, que mais correto e hilariante teria sido manter o 1. de abril.
Para refrescar a memória, relembro: mandamos para a Itália no final da Segunda Guerra Mundial, nossos pracinhas, que lá serviram de bucha de canhões para os americanos, que afugentavam os nazistas para o Norte da Itália, sobre os Alpes. A guerra chegava ao fim, o trabalho era apens de faxina, para a qual nossos pracinhas se propuseram. Heroísmo só existiu nos relatórios da FEB, nos campos de batalha aconteceu apenas mortandade de soldados, de todos os lados. Muitos infelizmente estão até hoje lá enterrados nos cemitérios do Sul da Itália (brasileiros, como americanos), outros voltaram lesionados, inválidos, deprimidos, decepcionados e, sobretudo, abandonados pelo Brasil. Todos sofreram, tiveram que processar o governo para conquistar uma aposentadoria microscópica, não poucos foram levados ao suicídio pelo destino trágico do abandono no próprio país, e alguns (pasmem!) se tornaram Coronéis e Generais do Exército. Desta Casta nebulosa vieram os militantes do golpe militar de 1964. Nada menos, nada mais. O SNI foi uma herança daqueles tempos sangrentos, e a ABIN é a ressurreição, como se fosse um fantasma daqueles tempos, dos mecanismos de repressão ao povo.
Me recordo daqueles anos, que me levaram ao refúgio do qual nunca mais voltei, e me recordo também da luta de brasileiros esclarecidos e cultos no combate à ignorância de militares despidos de honra e de caráter (felizmente nem todos!), mas sobretudo despidos de massa encefálica. Felizmente um batalhão de infames que não somente partiu para o purgatório, como também vai sendo lembrado como rodapé da história.
Sobretudo, por isso, é de se sacudir a cabeça o fato que um Bolsonaro da vida (infelizmente mais que um) se tenha proposto a ressuscitar fantasmas daquela era maldita de nossa história. A ABIN é realmente um SNI com nova etiqueta e seria conveniente a justiça aproveitar agora esta derrama para repor todos os funcionários lunáticos desta instituição com novas pessoas, descompromissadas dos fantasmas do regime militar.
Bolsonaro é um tipo de câncer que não vai ser curado imediatamente, é como uma hidra que se espalha pelo organismo do país, porque é produto de uma mentalidade atual, mas medidas radicais podem abrir as portas para um futuro pacificado e livre de repressões. O Brasil no momento está muito mais próximo da Rússia (e da Hungria!), do que pensamos ao ver o mapa mundial.

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