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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Triste, lamentável e insustentável
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Triste, lamentável e insustentável

Nos últimos dias a cidade escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 foi palco de cenas dignas dos filmes de ação de Hollywood. Até onde se sabe, em nenhum lugar do mundo os traficantes ousaram abater um helicóptero da polícia. Não que nas outras cidades a violência cessasse por causa da indicação para este evento, mas os jornais estrangeiros alfinetaram o Rio de Janeiro. Deixemos de lado o patriotismo, a nossa xenofobia, para refletir sobre como o mundo vê o nosso cartão postal no exterior. Isso não é preocupante? Será que a opinião internacional é desprezível?
O pior é que não vemos melhora alguma, mesmo que seja pontual. A credibilidade da segurança diminui cada vez mais – e o poder do narcotráfico torna-se ilimitado. Câmeras mostraram o caso do coordenador do movimento afroreggae, os dois assaltantes e os policiais militares numa rua deserta de uma noite no centro do Rio. Tudo choca porque os PMS, além de não socorrer a vítima, baleada no chão, não prenderam os ladrões e ainda ficaram com o produto do roubo. Meu Deus do Céu! Que valores são esses? Quanto vale uma vida nesta cidade? O rapaz fazia obras sociais!
Alguns otimistas incuráveis poderão dizer que tudo não passa de manipulação da mídia para incremento de audiência. O Rio continua lindo, com o povo alegre, alto astral... com a violência igual a de qualquer outro lugar. E quanto mais tentam denegrir a imagem da cidade guardada pelo Cristo Redentor, mais pessoas vêm para conhecê-la. Existe argumento mais convincente? Só que, por enquanto, apesar da guerra ser entre narcotraficantes, as balas acertaram muitos inocentes. Os céticos e pragmáticos acham que a cidade é um caso perdido... Que o mal já se enraizou de forma letal.
A Segurança Pública do Estado anuncia que os líderes da guerra ocorrida recentemente, entre os traficantes, pelo domínio dos pontos-de-venda, já foram presos e enviados para o Presídio de Segurança Máxima no Mato Grosso do Sul. Isso é um alívio? Nem um pouco! O que impediu, até agora, dos maiores chefões comandarem as operações de dentro das penitenciárias? Além do custo que isso representa ficar transportando marginal de um lugar para outro! Não importa o lugar onde estejam presos porque sempre haverá um substituto, enquanto houver um consumidor de droga.
Falou-se também que os PMS já estão presos e poderão ser expulsos da corporação. É mais uma medida necessária, mas insuficiente – mais um caso onde o nome dos envolvidos pouco interessa. Hoje foram esses, amanhã serão outros. O fato é que muitas lágrimas ainda rolarão, grito de indignação preso na garganta permanecerão, revolta, vontade de fazer Justiça com as próprias mãos, enquanto houver gente consumindo droga ilegal no país. A grande vitória seria eliminar o consumidor, o usuário final, aquele que ajuda a movimentar toda essa máquina de triturar pessoas e sonhos
Talvez alguns usuários ocasionais de droga, o equivalente ao bebedor alcoólico social, não veja tanto problema nos seus atos. Mas as cenas de ônibus queimando, pelas ações dos narcotraficantes, o pânico espalhado nas ruas e nas fisionomias das pessoas, a desesperança que se instalou na população, têm um pouco da sua responsabilidade. É por causa do consumidor que tudo isso acontece! Se não fosse ele para quê os bandos trocariam tanto tiros? Mas não é só o classe D ou E, os tipos que mataram o Evandro João da Silva, o coordenador do movimento afroreggae.
Como ninguém fala nos custos para combater esta guerra urbana, espera-se que os organizadores da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 tenham levado isso em consideração. Viram-se orçamentos para o trânsito e para as instalações... Agora para policiamento, hospitais, atendimentos de emergência com ambulâncias e outras necessidades que garantam segurança coletiva satisfatória, não ficou muito claro. Daí que não adianta mostrar, como no filme apresentado na campanha, uma cidade que não existe. Os eventos serão reais, acontecerão!
Fazendo uma comparação dos filmes Tropa de Elite, dirigido por José Padilha, com o da campanha do Rio para os Jogos Olímpicos 2016, do Fernando Meirelles, chega-se a uma excelente conclusão: este é o sonho, enquanto que aquele é a realidade. Claro que a cidade jamais seria escolhida baseada nas imagens daquele, mas tentar mostrar ao mundo e à população o que só existe na imaginação dos autores de novelas é decepcionante. A situação atual desta cidade é triste, lamentável e insustentável – e para mudar isso precisa muito mais do que um simples filme.

J R Ichihara
24/10/2009

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