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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Desaparecidos: como encontrá-los?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Desaparecidos: como encontrá-los?

A mídia veiculou no último domingo, 25/10/09, uma alarmante revelação sobre pessoas desaparecidas no país. Segundo o levantamento são cerca de 50 mil por ano, sendo que São Paulo é o estado detentor do maior número delas. Viu-se que o poder público age erradamente quando se vai a qualquer Delegacia registrar a ocorrência. Uma lei aprovada recomenda o início imediato da busca, mas os delegados simplesmente desobedecem e devolvem o problema para o cidadão.
No desespero que um desaparecimento provoca alguém vai se lembrar de exigir o cumprimento da lei? Então segue uma via crucis: hospitais, pronto socorro, outras Delegacias e todos os demais locais onde o desaparecido poderia se encontrar. Fazer o quê? A autoridade disse que só após 48 horas vai iniciar a busca! O que a Justiça vai fazer depois que os procedimentos equivocados foram mostrados? Quando a população vai receber o tratamento adequado?
Especialistas no assunto relataram que na maioria dos casos de sucesso as buscas iniciaram imediatamente. Indagando, mostrando fotos, descrevendo sinais particulares – enfim, procurando nos lugares que a pessoa costumava frequentar. À polícia caberia fiscalizar hospitais, estações rodoviárias, portos, rodovias e aeroportos. Mas... não vimos nenhum delegado orientar um parente do desaparecido desta forma! Qual é a obrigação do poder público nestes casos?
Os casos mostrados, na maioria, são de crianças e adolescentes. Mas o país tem uma dívida enorme com os familiares dos adultos desaparecidos durante a Ditadura Militar. Centenas de pessoas foram “arrancadas” do convívio familiar, profissional e social, simplesmente porque não concordavam com o regime imposto pelos militares. Pais e parentes até hoje choram e esperam uma confirmação sobre o paradeiro dos seus entes queridos. Ainda existe algum motivo para isso?
Mesmo após duas décadas do regime democrático, sob uma nova constituição, casos como do deputado Rubens Paiva nunca ficou esclarecido para o país. Uma campanha sobre as vítimas da Ditadura mostra uma senhora de 92 anos, que teve o filho desaparecido, fazendo um apelo comovente de uma mãe que nunca desejaria isso ao filho de ninguém. Isso nos leva a uma reflexão: será que os anos sem o filho lhe deram forças ou a condenaram a um eterno sofrimento?
Todos os casos relatados supõem-se, ocorreram à revelia da vítima. Para minimizar a dor e o sofrimento, as mães compartilham o problema em reuniões e organizações informais, por iniciativa própria, já que o poder público faz pouquíssimo caso disso. Como disse a mãe de um desaparecido: “combater o tráfico ou a violência no trânsito é muito mais importante”. Talvez se o filho de alguém importante, uma autoridade, fosse dado como desaparecido... O final seria outro!!!
Mas quem é vivo sempre aparece, diz o ditado. A TV mostrou para o país o aparecimento do ex-promotor Igor Ferreira da Silva, desaparecido desde 2001. Ele foi condenado a 16 anos e 4 meses de prisão, em 18/04/2001, com perda do cargo, sob suspeita de matar a esposa Patrícia Aggio Longo, grávida de 7 meses, em Atibaia, interior de São Paulo, no dia 04/07/1998. Sua versão foi que houve um sequestro, onde sua esposa foi levada, mas resolveu sumir do mapa por 11 anos.
Contam pontos a favor do ex-promotor o fato da sogra e do cunhado acreditar na sua inocência. Mas uma revelação desagradável poderia motivá-lo a cometer o crime contra a esposa. Um exame de DNA comprovou que o filho que ela esperava não era dele! À parte a formação acadêmica e todos os demais conhecimentos, não se sabe o que isso poderia provocar nele como um homem. O brasileiro conhece perfeitamente como a sociedade trata o marido que foi traído.
Provavelmente o ex-promotor não vai revelar nada além das suposições. Mas o simples fato de estar preso reacende a velha esperança na sociedade de que a Justiça é para todos. Não sabemos o que os outros desaparecidos teriam para dizer, já que dificilmente aparecerão. Se servir de consolo poderíamos ouvir quem os fez desaparecer, quais foram os motivos, o que se buscava com esses atos praticados – enfim, por que fazer alguém sofrer por causa de uma escolha pessoal.

J R Ichihara
28/10/2009


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