A casa dos grandes pensadores
 
 
 

ROSELI BUSMAIR

 

 

 

 

A FORÇA DA ESPERANÇA (R)

Ao que me diz aos gritos – Não há esperança ! – o meu protesto é veemente...

Ao que me diz mansamente – Creio e tenho fé ! – a este, dou meu apoio incondicional.

Àquele que grita, ao insano e ao absurdo se liga - aliando-se ao vício, que assim lhe dá a coragem que não tem quando sóbrio - nem para gritar ao mundo ou contra ele, lançar os seus impropérios, que a si mesmo fosse dado observar - é ridículo desespero dos que não crêem em nada e muito menos em si mesmos.

Ao que acredita pela fé – é dado a conquista. Mas ao que deixa de buscar o seu equilíbrio, desperdiça a oportunidade, mesmo quando se lhe é dada, graciosamente.

O mundo vive seu momento de crise atordoante. Entre a ciranda financeira e o desemprego; a arrogância das elites nos ditames da falsa democracia, o privilégio impera – mas a crença nasce dentro de nós e se exterioriza, criando uma couraça intransponível e uma luz tão intensa – que somente os fracos de espírito, não conseguem abrir os olhos para ver e crer.

A luta do homem frente às adversidades é sobejamente propalada.

Já dizia o ditado:

- " A necessidade é a mãe da criatividade..."

Eu lhes digo que:

– "Quando Deus nos dá um limão, devemos fazer uma doce limonada..."

Assim, todas as dores físicas e morais, as maiores desgraças, tem sobre nós um efeito contrário. Podem até, num primeiro momento, levar-nos ao desespero, mas certamente, ao esfriarmos a cabeça e, se somos um pouco inteligentes, veremos como merecemos tal lição - que afinal o mundo e a vida nos pregaram - com toda a certeza, por força divina, visando tão somente o nosso próprio concerto interior.

A fraqueza do homem não é apenas física. É moral, espiritual.

Fazemo-nos fortes quando acreditamos num poder superior que rege nossa existência, na qual devemos buscar nos aprimorar, sanando os defeitos e melhorando cada vez mais as nossas qualidades. Se ao contrário, nos deixarmos abater pela revolta, pelo desespero, pelo desânimo, não merecemos a ajuda de outros, quanto mais de nosso Divino Pai.

O homem só se faz forte quando reconhece suas próprias fraquezas e, bem assim as coloca em primeiro plano, bem à sua vista, para jamais esquecê-las.

Ao contrário, somente as reconhecendo em si mesmo é que se pode minorá-las e, aos poucos, aboli-las em definitivo dentro de nosso "Eu" interior.

Um homem quando é forte até pode parecer fraco diante dos demais, mas se reconhece a si mesmo e testifica sua fortaleza no espírito de sua luta, de sua verdade, de sua fé.

Quando vejo um homem de ego envaidecido, de espírito embriagado, de mau humor e às avessas a sua própria dignidade – eu vejo um fracassado, um bandido, um viciado, um imbecil...

Quando vejo um homem equilibrado, obstinado em seus ideais, em luta sim, mas pela sua realização, derrubando os obstáculos com honra e sabedoria – eu vejo um vitorioso, na mais perfeita acepção da palavra.

A vida ensina desde a concepção no útero materno, que é luta renhida se desenvolver, tornar-se um ser e sobreviver, até mesmo ao nascimento.

O amamentar-se para viver, já exige uma sucção forte ao seio, do contrário, não obtém-se o leite, néctar da vida para o recém nato.

O engatinhar exige o esforço, a vontade, o querer ir a algum lugar.

O caminhar exige o equilíbrio, duramente conseguido para dar o primeiro passo, onde a coragem para dá-lo é preponderante.

O correr, o andar de bicicleta ou patins; tudo exige habilidade, perseverança, vontade. E assim também, ninguém aprende o be-a-bá sem muito esforço, pois só:

- "O querer é que gera o poder..."

Gritar que não agüenta mais é simplesmente dizer ,que se aceita o fracassar e, que se é incapaz para vencer.

Foi bem por isso que dotou-nos Deus do livre arbítrio - para que em tais momentos cruciais, quando tudo parece opaco e, quando através da nossa própria escuridão, não vemos a luz - porque não nos subjugamos à Sua vontade, querendo aos brados, exercer a nossa própria vontade.

É bem aí que nos descobrimos como de fato nós somos – imperfeitos, eternos aprendizes (e aí cabem as lições); viajantes de um mundo onde o nosso amor próprio, orgulho, vaidade, muitas vezes falam mais alto que o bom senso e a coragem, para viver e lutar pelo que de fato buscamos - um mundo melhor para todos os homens, a partir de nosso próprio mundo interior.

Move-nos a esperança e só ela nos dá a força necessária para acreditar no dia seguinte, quando após a tempestade bravia, ressurge o Sol, iluminando um novo dia – calmo e sereno, num céu azulado e mágico, mostrando a todos os que conseguirem ver – a grandiosidade infinita do poder da natureza ao se transmutar para vencer a si própria, através de dádiva divina.

A esperança é portanto, a força motriz que alavanca os homens no mundo inteiro.

Sem ela, não haveria o amanhã...

Curitiba - PR - 03/10/2002 

 
Roseli Busmair
 
E-mail: [email protected]
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 13/11/2004